Gambito no Bessa, Angel Gomes a decidir com classe.

O duelo de xadrez pendeu para a pantera, que beneficiou da classe do seu número dez, num livre direto, para somar a terceira vitória em 20 jornadas. A segunda em casa, onde só tinha ganho ao Benfica. O Moreirense, no reencontro de Vasco Seabra com o Boavista, viu findada uma série de três vitórias fora de portas.

Vindas de empates ante os ditos grandes, as equipas não mudaram muito no onze inicial. Aliás, o Moreirense nada alterou face ao 1-1 com o Benfica. Já Jesualdo fez voltar Chidozie e Javi García, impedidos no Dragão, fruto da lesão de Rami, sentando Porozo, que marcara ante o FC Porto.

O duelo aos quadradinhos no Bessa teve primeira parte interessante, mas faltou o golo a abrilhantar.

Com uma linha de cinco, o Moreirense foi-se defendendo bem, mas teve de suster um período de maior ascendente do Boavista. Esse aconteceu após uma arrancada de Sauer, ao quarto de hora, que fez valer cinco (!) cantos em dois minutos. Mangas e Nuno Santos cheiraram o golo, mas o susto na área de Pasinato passou.

Pouco depois, a coesão do Moreirense quase ficou comprometida numa trapalhada de Rosic, que deixou Elis isolado, mas o hondurenho foi demasiado perdulário na cara de Pasinato (18m).

Passado o susto, o Moreirense foi equilibrando. O Boavista pressionou mais, mas os cónegos mostraram ser a equipa mais tranquila. Aí, os dez pontos a mais que o Boavista e o sétimo lugar na classificação ficaram espelhados. Com uma linha a três a partir de trás - Ferraresi, Rosic e Abdoulaye -  e a classe e calma de Filipe Soares até Fábio Pacheco foram orientando a equipa. A isso, juntaram-se incursões constantes de Abdu Conté pela esquerda. Mas faltou levar mais perigo a Léo Jardim.

Pouco após o recomeço, o génio de Angel Gomes mudou a estratégia e o filme do jogo. Um livre direto marcado de forma irrepreensível ditou um golaço para o 1-0 ao minuto 53.

O que tanto o Boavista ansiava e que tem sido raro esta época – a vantagem – desbloqueou o rumo dos acontecimentos. E o conforto podia ter sido outro, se Elis não voltasse a brincar com a eficácia. Um passe de mestria de Angel isolou o hondurenho, que falhou o segundo cara a cara com Pasinato (57m).

Depois, Seabra abdicou de um dos melhores elementos a construir – Filipe Soares – e de um apagado Yan, para procurar o empate com o rasgo de David Simão e o instinto de Rafael Martins. Jesualdo respondeu com a troca de Cannon por Porozo e reorientou a defesa a três centrais, trancando com Paulinho e Mangas nos corredores. Viria a reajustar a quatro com o recuo ligeiro de Mangas, fruto do Moreirense em busca do 1-1. E com Javi García numa linha de cinco, a suster os instantes finais emocionantes.

Rafael Martins até marcou, aos 69 minutos, mas o golo foi anulado pelo vídeo-árbitro, por fora-de-jogo de Walterson por… 12 centímetros. O Boavista, que se agarrou à vantagem com coração e garra, podia ter sentenciado, mas o cabeceamento de Javi García ao poste não teve recarga (80m). E foi preciso sofrer no fim: no limite da compensação, Léo Jardim fez uma enorme defesa a Derik para selar o 1-0.

Ricardo Jorge Castro / Estádio do Bessa, Porto