Não foi um jogo bonito, mas acabou com um resultado justo. O Marítimo, que não vencia há seis jogos (desde a histórica vitória no Dragão), regressou este sábado aos triunfos à custa do Belenenses SAD, em jogo da 10.ª jornada da I Liga. 

Depois de um primeiro tempo sem golos, a vitória que retirou os madeirenses do último lugar da classificação foi selada por Joel Tagueu, já nos descontos de uma partida que esteve quase sempre subordinada ao rigor tático e que acabou com duas expulsões. 

O duelo arrancou com um Belenenses SAD muito assertivo na retaguarda e incisivo na manobra ofensiva, ante um Marítimo algo lento, e por isso previsível, que procurava surpreender com passes de rotura para ultrapassar as linhas bem organizadas dos azuis.

Esta foi a história dos primeiros 30 minutos. Amir, que voltou à baliza dos insulares, foi testado por Miguel Cardoso num par de ocasiões, e até foi bafejado pela sorte, quando à passagem do quarto de hora, viu o esférico ligeiramente por cima da trave, numa tentativa de chapéu protagonizada por Varela, a passe de Rúben Lima. Teria sido um sério candidato a golo da jornada.

O Marítimo só começou a soltar-se a partir da meia hora, pouco depois da saída, por lesão, de Esgaio. A paragem do jogo para que o lateral fosse retirado de campo em maca, permitiu a Milton Mendes chamar todos os jogadores de campo à linha para corrigir processos.

A ‘conferência’ resultou, uma vez que os verde-rubros acabaram por finalmente conseguir sair a jogar, embora nem sempre bem. Mais objetivos e com uma circulação de bola mais rápida, a turma madeirense foi empurrando a formação orientada por Petit para o seu último terço.

O bloco defensivo menos batido da I Liga foi contrariando as investidas insulares, que tiveram Rafik como grande protagonista, na conquista de faltas e pontapés de canto. Mas foi nas bolas paradas que o Marítimo acabou por criar mais perigo, valendo a intervenção de Kritsyuk, num par de ocasiões, para manter as suas redes invioladas.

O Belenenses SAD foi para o descanso algo manietado, mas voltou a jogo disposto a mostrar os argumentos exibidos na primeira meia hora. A turma lisboeta criou as primeiras aproximações com algum perigo junto da área de Amir, mas o Marítimo, apostado nas transições rápidas e momentos de rotura.

Foi num destes momentos que os azuis acabaram por ser surpreendidos. Aos 60, Kritsyuk calculou mal o tempo de saída da baliza e derrubou Alipour, que seguia isolado. O segundo cartão amarelo ao guardião deixou os lisboetas reduzidos a dez elementos.

O jogo ganhou vida, mas sem futebol de qualidade. O Marítimo passou a dominar as operações, mas as muitas chegadas à baliza dos visitantes, agora defendida por Guilherme, revelaram pouco discernimento. Joel Tagueu, aos 69, ainda esticou as redes, após um bom cruzamento de Edgar Costa, mas o lance foi anulado por fora de jogo. 

Petit foi refrescando a equipa, enquanto Milton Mendes apostou no tudo ou nada. O recém-entrado Richard, no minuto de um dos dos seis de descontos, ficou muito perto de bater Amir, mas a ousadia do técnico dos maritimistas acabou por ser melhor recompensada. 

Aos 90+3, um cruzamento de Marcelo Hermes, desde a esquerda, foi direitinho para o cabeceamento irrepreensível de Joel Tagueu. Se o Caldeirão tivesse público nas bancadas, teria entrado em ebulição, ainda por cima quando, pouco depois, jogadores e elementos do staff de ambas as equipas se envolveram em cenas nada bonitas, com empurrões e gritos, entre outros excessos, que acabaram com vários amarelos e com a expulsão de Cafu, que esteve na origem do conflito ao cometer uma falta dura sobre René Santos.

Raul Caires / Estádio do Marítimo, Funchal