Após mais um desaire na Liga dos Campeões e na antevisão do jogo com o Santa Clara para a Liga, foi a má campanha europeia a dominar a conferência de imprensa de Bruno Lage.

O treinador do Benfica foi questionado se o facto de, por sistema, poupar jogadores nucleares da equipa na Champions não é contraditório com o discurso sobre a recuperação da dimensão europeia das águias e respondeu apenas que são as opções que toma.

«São as minhas opções. No jogo anterior com o Lyon, o Pizzi também não tinha jogado de início, o André Almeida também não, e como ganhámos não se levantaram essas questões. São opções que passam pela minha forma de pensar», desvalorizou.

Para reforçar essa ideia, Lage partilhou a experiência mais de duas décadas como treinador, para mostrar que só a seguir as próprias ideias chegou onde está.

«Eu terminei o meu curso há 23 anos e ao contrário dos meus colegas não fui dar aulas. Pensei pela minha cabeça e apostei na minha carreira de treinador; passado uns anos, vim para o Benfica, fiz o meu percurso até aos juniores, voltei aos iniciados e achei que precisava de sair: todos os meus colegas me disseram que ninguém sai do Benfica. Eu pensei pela minha cabeça e fui à minha vida; estive no Dubai, em Inglaterra com o Carlos Carvalhal, no Championship, Premier League, até que me surgiu o convite para voltar o Benfica para a equipa B: todos me questionaram o porquê de deixar a Premier League para a II Liga: pensei pela minha cabeça e estou aqui», rebobinou, para chegar a uma conclusão.

«Independentemente do que me possam dizer, são 20 anos a pensar pela minha cabeça. E aquele miúdo que saiu como adjunto do V. Setúbal, a ganhar 100 euros, e agora estou aqui a treinar a equipa A [do Benfica]. Um dia, quero olhar para trás e perceber o percurso que fiz, sempre a pensar pela minha cabeça», concluiu.

Adérito Esteves / Centro de treinos do Benfica, Seixal