Jesualdo Ferreira, treinador do Boavista, na sala de imprensa, após vitória por 2-1 frente ao Gil Vicente:

«O que se passou aqui hoje foi mérito dos jogadores e justiça a todo o trabalho que tivemos. Foi uma época atípica porque foi tudo diferente e foi uma lição para todos. Terminou para o Boavista de uma forma boa porque durante todo o trajeto foi difícil de lidar com resultados que não condiziam com o nosso valor.

O Boavista no início virou o pensamento para uma outra forma de ver o negócio do futebol, o que parece correto, mas precisa de tempo. Foi difícil porque foi sempre a competir. O plantel tem muitos jogadores jovens, de vários países e que não conheciam nada da nossa história. O que fizemos hoje não foi sermos campeões nacionais, mas foi a vitória que o clube precisava neste momento. Estes jogadores vão ser mais fortes na próxima época.

Andámos muito para a frente e para trás e foi aí que os jogadores cresceram e eu também cresci porque andei atrás de objetivos muito atrás do que estou habituado. Os jogadores perceberam que eu sofri com eles. Houve uma conjugação de factos que terminou bem para o Boavista. Hoje conseguimos a segunda vitória seguida, nunca o tínhamos feito.

[vai continuar no Boavista?] O futuro do Boavista vai ser com as pessoas que a direção entenderem que são importantes. Eu fui treinador do Boavista com muito prazer e orgulho. O clube tem uma dimensão muito acima daquele trajeto que tem feito nos últimos tempos e fez nesta época. Vou ter a possibilidade, a sorrir, de pensar em coisas que nunca pensei passar.

[projeto criou pressão nos jogadores?] O lançamento do projeto tinha de ter aquelas palavras. Foi um jogo em que a roleta andou e parou num certo número. Quando entrei percebi que era preciso competência e união. O Boavista foi a única equipa que não fez uma única aquisição durante toda a época. Acertei no prognóstico: desenvolver jogadores e união na equipa.

[sensações durante o jogo] Estar a ganhar e sofrer golos depois da hora que faz perder pontos são sensações que eu pensava que não existiam. Ir para casa, viver com elas, mas não morrer com elas e criar aí quase como uma vacina da covid-19. Agora nesta altura da vida ainda aprendi muitas coisas como treinador que não sabia antes».

Nuno Dantas / Estádio Cidade de Barcelos