Um golo já ao minuto 87 colocou justiça no duelo entre miúdos e graúdos.

O Sporting chegou cedo à vantagem no Clássico, mas depois cometeu erros daqueles que os rivais não perdoam.

O FC Porto falhou logo de início, mas depois mostrou que é mais maduro, que tem as costas mais largas, de quem tem um percurso mais consolidado, e aproveitou para dar a volta ao marcador ainda antes do intervalo.

Os miúdos não se encolheram com os erros, no entanto, e foram em busca do prémio mínimo, que surgiu pelos pés de Vietto.

Um desfecho mais ajustado ao primeiro Clássico da época, ainda sem o calor do público para alimentar saudavelmente a rivalidade.

Arranque de leão, descanso com agitação

O primeiro sinal de perigo até foi dado pelo FC Porto, num lance de bola parada em que Pepe quase conseguia o desvio antes da palmada de Adán, mas foi a irreverência do Sporting a deixar a primeira marca no jogo.

Marchesín ainda começou por negar o golo a Matheus Nunes, mas depois não conseguiu suster a potência do pé esquerdo de Nuno Santos. O esquerdino, que no mercado de transferências até esteve também na agenda portista, colocou o Sporting em vantagem no Clássico, logo ao minuto 9.

A organização defensiva do FC Porto demorou a encontrar o encaixe, entre a necessidade de controlar Porro e Nuno Mendes na largura e depois Nuno Santos, Pedro Gonçalves e até Jovane entre linhas.

Mas do lado oposto a (in)segurança não era muito diferente. Os primeiros sinais disso foram provocados pela qualidade individual de Corona e Luis Díaz, mas foi um erro de leitura de Coates a permitir que Uribe aparecesse solto na área para restabelecer a igualdade, assistido pelo estreante Zaidu.

Sagaz a explorar a profundidade, sobretudo com Nuno Santos e Pedro Gonçalves (Jovane mais a cair entre linhas), o Sporting voltou a crescer no jogo e teve uma soberana ocasião para marcar ao minuto 44, mas Marchesín voltou a fazer frente ao ex-Famalicão.

Na sequência do pontapé de canto deu golo… do FC Porto. O Sporting subiu todos os jogadores (de campo) para os últimos trinta metros e não acautelou a transição portista, que resultou no 2-1. Luis Díaz assumiu a “fuga” e Corona finalizou a jogada com categoria.

Ainda antes do descanso surgiu o lance mais polémico do encontro, com Luís Godinho a assinar penálti para o Sporting e a exibir o segundo cartão amarelo a Zaidu, mas depois a reverter ambas as decisões, após ver as imagens, considerando que não foi a mão do nigeriano nas costas a afastar o português do lance.

Amorim viu prémio da bancada

A segunda parte foi menos interessante, mais confusa, mas o Sporting teve a capacidade para reunir coragem, mesmo com o treinador na bancada (expulso ao intervalo).

A formação leonina passou quase toda a etapa complementar instalada no meio-campo ofensivo, ainda que o número de oportunidades não tenha propriamente refletido isso, e ainda que Pedro Gonçalves, Porro e Palhinha tenham protagonizado remates perigosos.

Mas Amorim arriscou o que tinha para arriscar: começou por prescindir de Neto para assumir o 4x4x2, e acabou com Tiago Tomás a fazer de (falso) lateral direito.

O prémio surgiu já ao minuto 87, com Vietto a aproveitar um ressalto na área para fazer o empate.

Uma penalização também para a escassa produção ofensiva do FC Porto na segunda parte. Os reforços Toni Martínez e Felipe Anderson não conseguiram acrescentar algo, e até foi Taremi, o último a entrar, quem assustou Adán com um remate perigoso já nos descontos.

Nuno Travassos