A figura: Samaris
Andou com os nervos à flor da pele e na segunda parte até falhou três passes quase seguidos para Sílvio, mas foi o que mais lutou contra tamanho golpe. Lutou sozinho a meio-campo, procurando contrariar a apatia generalizada, e tentou empurrar a equipa para a frente, inconformado com a falta de ideias da equipa. Não é por acaso que depois do tal terceiro passe errado para Sílvio, na segunda parte, o público da Luz ainda lhe dedicou aplausos de compreensão.
 
Positivo: vontade de Guedes
Foi o principal motor do Benfica na fase inicial do jogo, curiosamente partindo do lado esquerdo, por troca com Nico Gaitán, numa mudança pensada por Rui Vitória para o dérbi. É verdade que a definição dos lances nem sempre foi a melhor, mas o jovem avançado criou vários deequilíbrios pelas alas. Perdeu foi o gás algo cedo, e acabou substitutído por Mitroglou na segunda parte (77m).
 
Negativo: gritante fragilidade defensiva
A defesa do Benfica voltou a ruir. A intranquilidade revelada no início da época parecia corrigida, mas a qualidade do Sporting destapou-a por completo. A face mais visível desta fragilidade até pode ser o quarteto mais recuado, mas o problema está relacionado com a organização defensiva coletiva. Falta de agressividade (sobretudo no meio-campo defensivo), péssima reação à perda de bola, mau controlo da profundidade...foram inúmeras as lacunas benfiquistas neste capítulo.
 
Outros destaques:
 
Eliseu
Esteve longe de ser o único responsável pelo descalabro na primeira parte, mas foi o sacrificado ao intervalo, naquele que pode ser um prenúncio do adeus à titularidade. Com João Mário mais preocupado em aparecer na zona central, o lateral esquerdo do Benfica andou sempre perdido. Inseguro a defender, inexistente a atacar. A gota de água para os adeptos benfiquitas foi o lance em que Gaitán cobra um livre de forma curta, para Eliseu, e este, ao dominar a bola, coloca-a nos pés do adversário.
 
Luisão
Uma das piores exibições de águia ao peito, a lembrar dérbis mais antigos, quando Liedson era uma enorme dor de cabeça. A má organização defensiva do Benfica expõe mais as lacunas do capitão, que sentiu imensas dificuldades para controlar as saídas em transição do Sporting, mas que foi também batido nas alturas num dos golos. Já bem perto do fim esteve quase a fazer um autogolo, por causa de um mau atraso para Júlio César. Valeu a reação rápida do guarda-redes, a evitar que a exibição de Luisão fosse ainda mais negativa.
 
André Almeida
Responsabilidades no primeiro golo, por força do mau passe em zona frontal à área do Benfica, logo após uma recuperação de bola. No terceiro golo também não está isento de culpas, na medida em que o passe vertical para Gonçalo Guedes, que estava de costas para a baliza do Sporting, era a pior opção naquele momento. No segundo tempo passou para lateral esquerdo e cumpriu defensivamente, mas ficou aquém do que era preciso em termos ofensivos, tendo em conta a desvantagem no marcador.
 
Fejsa
Entrou ao intervalo para o lugar de Eliseu, viu um cartão amarelo ao fim de um minuto e meio em campo, e saiu lesionado ao minuto 67.
 
Nuno Travassos