Vamos na jornada 13, mas o azar não explica a situação em que o Benfica ficou, a quatro pontos de FC Porto e Sporting. Ao perder o dérbi, já depois da vitória do FC Porto em Portimão, o Benfica mostrou que é a menos equipa das três que lutam pelo título.

O plantel de Jorge Jesus até será o mais rico em termos individuais, mas coletivamente vai mostrando estar aquém dos rivais. Com os processos menos claros, com os automatismos menos definidos, com a personalidade menos vincada.

O Sporting, por outro lado, deixou mais uma prova de que o título não é obra do acaso. É obra de Amorim. Desde logo pela estratégia delineada para a primeira visita à Luz como treinador do rival com público nas bancadas. Mas acima de tudo pela identidade que deu à formação leonina, e que ficou bem patente, uma vez mais.

O Sporting entrou no dérbi a marcar João Mário, que sofreu três faltas nos primeiros cinco minutos, mas a equipa de Ruben Amorim também não perdeu tempo a marcar na baliza do Benfica. Estavam cumpridos apenas oito minutos quando Porro e Pote criaram o desequilíbrio na direita e o português fez uma assistência fenomenal para uma conclusão à altura de Pablo Sarabia, de primeira.

O Benfica até respondeu de imediato, com uma cabeçada de Grimaldo que Adán afastou a soco (10m), mas foi um inconformismo pouco clarividente.

O golo madrugador deixou o Sporting nas suas sete quintas. Com a estratégia bem definida, não permitia que Weigl e João Mário pegassem no jogo, e por arrasto conseguia também esconder Rafa e Darwin do jogo.

Incapaz de jogar por dentro, a equipa de Jorge Jesus usou e abusou dos cruzamentos na primeira parte, sem efeitos práticos, enquanto que o Sporting era bem mais vertical, mais pragmático, mais perigoso. Pote teve duas ocasiões seguidas para marcar (38 e 39m), sendo que uma delas foi desviada por Vlachodimos para o poste, e Paulinho ainda teve um golo anulado por fora de jogo antes do descanso.

A primeira parte terminou com 65 por cento de posse de bola para o Benfica, mas apenas um remate, para seis do Sporting.

Ao trocar Lazaro por Yaremchuk, ao intervalo, Jesus conseguiu ver uma reação da sua equipa, sobretudo depois de Amorim ter perdido mais um central. Feddal saiu por lesão, ao minuto 55, e o Benfica teve duas soberanas ocasiões para empatar: primeiro com Darwin a cabecear ao ferro (60m), e depois Adán a negar o golo a João Mário (62m).

As águias pareciam dispostas a mostrar outra faceta, mas o Sporting revelou a mesma de sempre: mais vertical, mais pragmático, mais perigoso. Abriram-se avenidas novas no relvado do Estádio da Luz, e Matheus Nunes aproveitou. Primeiro fez a assistência para o golo de Paulinho (62m), e depois assinou o terceiro golo leonino (68m).

O Benfica teve a dignidade de reagir, ainda que o desfecho do jogo já estivesse anunciado. Darwin teve um golo anulado por fora de jogo de Yaremchuk, o mais inconformado dos pupilos de Jesus na segunda parte (82m), mas foi Pizzi, que saltou também do banco, a marcar o tento de honra encarnado, já em período de descontos.

Mas a reação do Benfica não merece mais do que uma menção honrosa, perante a maturidade do campeão.

No final houve lenços brancos e uma assobiadela monumental na Luz. Para lá da diferença pontual para os rivais, o Benfica fica obrigado a refletir sobre a sustentabilidade do projeto assumido com o regresso de Jorge Jesus.

Nuno Travassos / Estádio da Luz, em Lisboa