A figura: Otamendi

Apesar do golo na compensação, a decidir o dérbi a favor do Sporting, o duelo entre rivais foi de encaixe, de duelos, com a organização defensiva a prevalecer. Nesse sentido o destaque encarnado acaba por ficar para Otamendi, o mais sólido dos quatro centrais utilizados pelo Benfica em Alvalade (três de início e depois Weigl, que recuou com a lesão de Jardel). Foi aquele que melhor conseguiu vigiar a movimentação de Tiago Tomás, Nuno Santos e Pedro Gonçalves, tanto a pressionar no espaço entre-linhas como a controlar a profundidade.

O momento: minuto 11

O Benfica até entrou bem no jogo, com o esquema de três centrais a encaixar no ataque do Sporting, e depois com Cervi e Rafa a conseguirem criar desequilíbrios no lado oposto do campo. Mas a lesão de Jardel, ainda que muito precoce (ao minuto 11), acabou por abalar um pouco a estratégia encarnada para Alvalade. João de Deus manteve a estrutura, recuando Weigl (entrou Gabriel para o meio-campo), mas o Benfica passou a ter mais dificuldades na linha recuada, até porque o alemão não está muito habituado a jogar com três centrais (já jogou como central, mas não neste esquema, e tem rotinas é a recuar no terreno para uma construção a três). Também a meio-campo acabou por notar-se diferença, já que a tendência de Gabriel para sair na pressão deixou mais espaço para Pedro Gonçalves e Nuno Santos receberem a bola nas costas.

Outros destaques:

Rafa

Foi um dos melhores elementos do Benfica na primeira parte, se não o melhor. Irreverente na ala, mas também perspicaz a aparecer em zonas interiores e, com isso, a desequilibrar a favor do Benfica no corredor central. A definir até com critério, algo em que peca muitas vezes. Um problema físico perto do intervalo travou a afirmação no jogo. Ficou até a ideia que não voltaria do intervalo. Reapareceu, mas sem o mesmo fulgor, ainda que ao minuto 65 tenha protagonizado um remate à figura de Adán.

Pizzi

Não foi uma exibição vistosa, mas que acaba por se enquadrar no perfil do jogo. Assumiu o encaixe a meio-campo e esperou que Rafa e Cervi conseguissem criar condições para receber a bola nas costas de Matheus Nunes e João Mário. Procurou combinar com Rafa, sobretudo, e protagonizou o primeiro remate do Benfica, embora fraco, ao lado (19m). Já antes tinha visto Weigl recuar para central, perante a lesão de Jardel, e com a entrada de Gabriel teve de reforçar a atenção em termos defensivos, missão que acabou por cumprir bem.

Darwin

Desta vez o Benfica lançou apenas um avançado de início, com Darwin a assumir um duelo muito particular com o compatriota Coates, mas a sair claramente derrotado do mesmo. Apenas se conseguiu libertar uma vez, no início da segunda parte, para um remate que aqueceu as mãos a Adán. Acabou por sair ao minuto 79, para a entrada de Seferovic.

Nuno Travassos