Falta apenas o veredicto da calculadora, mas Augusto Inácio já pode respirar. O treinador referiu após o triunfo histórico em Guimarães que apenas descansaria quando a equipa atingisse os 36 pontos. Essa meta foi alcançada com o triunfo (3-0) na receção ao Belenenses, conseguido com a transformação de duas grandes penalidades e um golo no cair do pano.

Ainda que a manutenção não seja um dado consumado, apenas uma hecatombe tirará os avenses do mapa da elite do futebol português. Uma arrancada de Luquinhas foi a ignição avense, a provocar o primeiro desequilíbrio, da marca dos onze metros o defesa Rodrigo e o médio Falcão carimbaram o triunfo. Rúben Oliveira fechou as contas ao minuto noventa.

Vitória pragmática do conjunto de Augusto Inácio, sabendo ser uma equipa compacta quando o Belenenses teve o esférico. Nos penáltis sobrou frieza aos jogadores avenses, dando-se assim seguimento ao triunfo na Cidade Berço. Com 36 pontos esta é já a melhor pontuação e sempre do Aves na Liga.

VAR aberto entre o repentismo e o pé para pé

Com os dois conjuntos relativamente tranquilos na tabela classificativa, procurando os avenses a manutenção ainda que a margem para a linha de água permita respirar, faltou intensidade ao embate entre Desp. Aves e Belenenses.

Escasseou um ritmo mais elevado e mais nervo aos dois conjuntos para dotar o encontro de outra qualidade. Ainda assim pertenceu a um Aves mais repentino maior dose de perigo, fazendo de Muriel uma das referências do Belenenses na primeira metade. O brasileiro travou um pontapé de bicicleta de Galo com uma defesa aparatosa e assinou ainda mais uma série de defesas, segurando o nulo até ao intervalo.

Com um estilo de jogo diferente, mais rendilhado, o Belenenses tentou chegar-se à baliza de Beunardeu de pé para pé, tentando manter a sua proposta de jogo apesar das inúmeras baixas a equipa. Teve bons momentos mas pouca sequência e raros lances de verdadeiro perigo.

Pelo meio apareceu o VAR para emprestar alguma emoção a um embate sensaborão. Fábio Veríssimo apontou para a marca de penálti num lance em que Baldé se embrulhou com Kiki nas imediações da área. Essa decisão foi revertida e na sequência do livre a bola entrou mesmo, mas foi assinalada posição irregular a Derley.

Castigos máximos desbloqueiam

A toada ameaçava ser a mesma após o descanso. O Belenenses entrou com mais posse de bola, mas de forma pastosa quase querendo fazer por adormecer o jogo. Ia faltando verticalidade aos homens de Silas.

Até que Luquinhas decidiu pegar no esférico e armar uma correria pelo corredor central, isolando depois Derley, que foi travado em falta por Muriel. Primeira grande penalidade a permitir ao Aves adiantar-se no marcador. Ao fim de contas, as Aves ainda não foi palco de qualquer nulo pelo que seria uma questão de tempo.

Rodrigo foi chamado a marcar e não desperdiçou. O triunfo ficou consumado com um segundo penálti quando o Belenenses até tentava dar um ar da sua graça. Matija tentou o corte mas atingiu Baldé e fez a segunda falta no interior da área. Desta feita foi Falcão a abanar as redes, confirmando o triunfo.

Quando já se festejava ainda houve tempo para mais um. Luquinhas abriu uma vez mais o livro e isolou completamente Rúben Oliveira, que foi à cara de Muriel fechar a contagem.

Melhor época de sempre do Aves, falta então apenas a calculadora mas Inácio já pode respirar. O Belenenses esteve preso a uma ideia de jogo, mas pouca capacidade para esticar o seu jogo. são já sete as jornadas sem vencer do Belenenses.

Bruno José Ferreira / Vila das Aves