Golo aos oito minutos, fechar a loja e amealhar três pontos. Sangue, suor e lágrimas: quase quatro meses depois e doze jogos volvidos o Desp. Aves voltou a ganhar. Um triunfo (1-0) tão moralizador quanto sofrido e tirado a ferros perante um Sp. Braga que foi superior, mas atabalhoado e traído pelos próprios nervos.

Com várias estreias de miúdos dos sub-23 no onze, nomeadamente Mangas, Bruno Morais e Zidane Banjaqui, os avenses colocaram-se em vantagem aos oito minutos através de um livre de Mohammadi e depois foi segurar com tudo que fosse possível a vantagem mínima. Crença, muita fé e músculo foram as armas.

O Sp. Braga foi emaranhado neste estilo de jogo, caiu na ratoeira e deixou-se apoderar pelo nervosismo. Foi superior, mas faltou clarividência para conseguir explanar o seu futebol. saiu tudo muito atabalhoado e após seis jogos sem perder voltou à derrotas, ficando pela primeira vez na história em branco na Vila das Aves.

Golo a fechar o jogo

Normalmente os jogos precisam de um golo para desbloquear, na Vila das Aves aconteceu precisamente o contrário. O Desp. Aves entrou praticamente a vencer com um golo de bola parada logo aos oito minutos, condicionando de forma vincada o desenrolar do jogo.

Comecemos pelo golo avense. Execução perfeita do iraniano Mohammadi, a atirar para o lado do guarda-redes mas para onde estavam dois elementos avenses que abriram para a passagem do esférico. A bola acabou por entrar junto ao poste, deixando a equipa da casa em vantagem.

Último classificado sem vencer há onze jogos, o Desp. Aves agarrou-se à vantagem com o que pôde. O jogo ficou feio. Muita bola pelo ar, muitas disputas de bola, muita luta, muitos duelos e pouco futebol palpável.

Passou a primeira parte, pelo meio Sá Pinto trocou André Horta por Rui Fonte, mas a verdade é que o Sp. Braga deixou-se emaranhar nesta teia avense. Protestou muito, queixou-se dos apanha-bolas e barafustou com o árbitro, banco de suplentes incluído com Sá Pinto na linha da frente. Lances de perigo: zero.

Menos acidentado, emoção até ao fim

Foi menos acidentada a segunda metade. O intervalo serviu para por água na fervura, pedindo-se nervos de aço aos bracarenses perante um cenário adverso. A qualidade de jogo não melhorou muito, é certo, mas pelo menos não teve tantos incidentes.

O Sp. Braga corria contra o relógio, enquanto que o Aves pedia que o tique-taque fosse mais célere. Os Deuses da bola estiveram com o Aves ao minuto 54, quando a bola embateu no ferro e na sequência Beunardeau fez uma defesa assombrosa, impedindo que o esférico ultrapassasse a linha. A bola caiu no raio de ação de três bracarenses, mas acabou por ser Mangas a tirar. Foi preciso esperar pela indicação da Cidade do Futebol para ter a certeza de que a bola não entrou mesmo.

Na resposta, imediatamente no lance a seguir, o Aves aproveitou uma transição para ir ao meio campo adversário em superioridade numérica. A decisão e Welinton não foi a melhor, mas serviu de alerta para o Sp. Braga.

Carregou o Sp. Braga, sufoco completo nos minutos finais. Muitos nervos à mistura e bolas paradas q.b. despejadas na área avense. Foram-se aguentando os miúdos do Desp. Aves, segurando o precioso triunfo.

18 de agosto. Era esta a data do último triunfo avense. Balão de oxigénio para a luta pela fuga à lanterna vermelha. O nome do adversário aumenta a dose de moral.