O Famalicão passou de «equipa sensação» para «equipa desilusão». Os famalicenses já não vencem há sete jogos, cinco para campeonato e dois para Taça de Portugal, e perderam a oportunidade de apanhar o Sporting na quarta posição. Um golo de Riccieli, já em tempo de desconto, impediu que os minhotos averbassem a terceira derrota caseira consecutiva.

O Desportivo das Aves esteve muito perto de entregar a lanterna vermelha ao Portimonense. A equipa orientada por Nuno Manta Santos tem feito uma recuperação fantástica e a conquista dos três pontos tinha permitido aos avenses sair do último lugar. O golo de Welinton Júnior valeu, ainda assim, a conquista de um precioso ponto na luta pela manutenção, mas acaba por saber a pouco. 

As duas equipas chegavam a este jogo vindas de derrotas. O Famalicão foi goleado em casa pelo Vitória Guimarães (0-7) e eliminado pelo Benfica, apesar do empate, na Taça de Portugal. Já o Desportivo Aves depois vencer pela primeira vez fora de portas, na Madeira frente ao Marítimo, também foi goleado em casa, mas pelo Rio Ave (0-4). Por isso, os dois coletivos queriam corrigir os resultados anteriores.

As duas equipas nunca se tinham defrontado em Famalicão para a I Liga. Em onze confrontos entre as duas equipas com os famalicenses como anfitriões, os locais venceram sete, empataram três e só na época 1994/95 é que os avenses triunfaram (1-2), na II Liga. Os dados estavam lançados e com as duas equipas a precisarem urgentemente de pontos, esperava-se um jogo bastante disputado.

O Famalicão tentou, desde cedo, pegar no jogo e controlar as operações. Contudo, Nuno Manta Santos estudou bem o adversário e apresentou-se num 4x2x3x1, dificultando a ação do miolo famalicense. João Pedro Sousa, apercebendo-se das dificuldades que a sua equipa estava a ter, alterou o esquema da equipa.

Uros Racic baixou para o lado de Gustavo Assunção e Pedro Gonçalves subiu para a posição 10, jogando entre linhas, junto aos centrais. Fábio Martins começou a fletir para o centro, obrigando aos dois homens do meio campo avense, Ruben Oliveira e Estrela, a um grande desgaste. Os locais começaram a chegar mais facilmente à baliza contrária e, não fosse Beunardeau, tinham chegado ao golo.

Ao mesmo tempo, lanterna vermelha deixou de conseguir sair no contra-golpe, algo que estavam a fazer com frequência no primeiro quarto de hora. Aí, foi Vaná a negar o golo ao isolado Mohammadi. Até ao descanso, a equipa da casa tentou de várias formas chegar ao golo, mas, apesar de não dispor de nenhuma ocasião flagrante, faltou eficácia.

Grande defesa de Vaná impediu o golo do Desportivo das Aves no reatamento. No segundo tempo, os famalicenses voltaram ao esquema inicial, voltando Racic a jogar mais adiantado. Isso voltou a deixar a turma avense confortável no jogo e acabou mesmo por se adiantar no marcador. Numa bola metida em profundidade em Welinton Júnior, Vaná carrega em falta o avançado brasileiro e Artur Soares Dias não tem dúvidas e assinala grande penalidade. Na conversão, o mesmo jogador colocou o lanterna vermelha em vantagem.

O técnico famalicense arriscou tudo. Colocou Anderson ao lado de Toni Martinez no ataque e passou a jogar apenas com três defesas: Patrick, Riccieli e Roderick. O Aves baixou as linhas e aproveitou para explorar, ainda mais, o contra-ataque. Mas o resultado prático disso foi quase nulo. Apostando num futebol direto, o Famalicão não se deu bem.

O Desportivo das Aves podia ter chegado ao golo, em contra-ataque, porém Vaná foi segurando a vantagem mínima. A descrença foi-se apoderando dos adeptos famalicenses, enquanto os da Vila das Aves iam fazendo a festa. Quando já todos esperavam o apito final de Artur Soares Dias, Riccieli foi dar a melhor sequência a um livre da esquerda, minimizando os estragos avenses.

Nuno Dantas