MOMENTO: minuto 1, tudo a gritar «Força Iker»
Bonito, comovente, humano. O estádio em transe, o jogo em segundo plano, uma tarja gigante a exibir a imagem de Iker Casillas no topo sul. O espanhol, deitado ainda na cama do hospital, só pode ter sentido toda a adoração e boa energia que lhe foi transmitida. Volta rápido, Iker, o futebol precisa de heróis.

FIGURA: Jesus Corona
O golo de cabeça, absolutamente improvável no futebol mexicano, ajuda-o a estar aqui. Mas reduzir a exibição de Corona seria, acima de tudo, injusto. Injusto porque quis desde o início ter bola, receber e tocar, ir para cima de Vítor Costa e criar desequilíbrios. Marcou o 1-0, esteve na origem do 2-0 (Jorge Fellipe dá mão pressionado pelo Tecatito) e participou no 4-0 com um remate… torto. É a melhor temporada de Corona no FC Porto.

NEGATIVO: Marega
Vinha de três golos nos últimos quatro jogos, mas a sensação que dá em campo é estranha. Desconfortável, em alguns momentos. Não definiu bem, não recebeu bem, não tomou as melhores opções no passe, enfim, uma noite desafinadíssima. Sem espaço para meter a velocidade e a força é, como diria Carlos Carvalhal, um potente bólide bloqueado no meio do trânsito.

OUTROS DESTAQUES

SOARES

Pediu a Alex Telles para bater a grande penalidade e não tremeu; aproveitou um toque de Brahimi e fez o 4-0 no segundo tempo. Um avançado a fazer dois golos só pode sair com uma nota elevadíssima. Já tem 15 golos na liga portuguesa e 21 em todas as provas. É a sua melhor época no FC Porto.

MANAFÁ
Por falar em golos, vale a pena registar o primeiro do lateral ao serviço dos azuis e brancos. Aproveitou uma bola perdida na área e rematou de primeira, sem hipóteses para Beunardeau. Acabou o jogo na esquerda, para que Alex Telles pudesse estender as pernas durante uns minutos no banco.

VANÁ
Sétimo jogo pelo FC Porto, o primeiro na Liga 2018/19. Pouco trabalho, luvas quase limpas. Agarrou um cruzamento traiçoeiro no primeiro tempo e parou bem um remate de Derley a abrir o segundo. Terá, pelo menos, mais dois jogos no campeonato para confirmar o valor: na Choupana e no Clássico contra o Sporting.

DANILO
Quantos remates fez no jogo? Tentou, tentou, tentou e nunca acertou um pontapé enquadrado na baliza de Beunardeau. Muito trabalho, muita entrega, uma exibição de nota alta.

RÚBEN OLIVEIRA
Não jogava a titular pelo Desportivo das Aves há quatro meses. Começou na direita e incomodou Alex Telles num par de cruzamentos. Rápido e com um bom pé direito, o médio não estranhou a colocação junto à linha e até foi mais interventivo do habitualmente endiabrado Luquinhas.    
 

Pedro Jorge da Cunha / no Estádio do Dragão, Porto