O Desportivo das Aves fugiu este sábado da zona de despromoção após surpreender o Marítimo, por 1-0, em partida da 21.ª jornada da Liga, na qual os insulares revelaram muitas dificuldades para construir ofensivamente e ainda muitos erros defensivos.

Sem deslumbrar, a formação de Vila das Aves acabou por vencer com justiça, fruto de um futebol pragmático e também por ter sido mais assertiva na abordagem a um jogo de grande importância na luta pela manutenção. Uma adjetivação contrária pode muito bem ser usada para descrever a prestação dos madeirenses, que além disso acusaram muita ansiedade e falta de argumentos para se imporem ante um adversário que atuou bem coletivamente.    

FICHA DE JOGO e o AO MINUTO do Marítimo-Aves: 0-1

A equipa de Augusto Inácio entrou em campo com uma alteração relativamente à derrota (2-0) na receção ao Sp. Braga. Falcão foi preterido por Braga no meio campo. Pelo Marítimo também duas alterações: Grolli estreou-se na I liga, por troca com Lucas Áfrico, no centro da defesa, e Ricardo Valente juntou-se ao ataque em vez de Rodrigo Pinho.

Ambas as equipas entraram no jogo acusando alguma ansiedade, mas com o passar do tempo os avenses foram-se libertando da pressão e passaram a controlar as operações. O quarto de hora inicial revelou um jogo aguerrido, mas algo fraco em termos técnicos, com erros de parte a parte ao nível do passe.

Foi em consequência de um desses lances que o Aves acabou por acionar o marcador. Aos 20 minutos, uma perda de bola de Zainadine a meio campo foi aproveitada por Luquinhas, que depois de tabelar com Derley, ganhou espaço pela esquerda para sem oposição para a finalização de Baldé na cara de Charles.

Se o golo trouxe deu ainda mais tranquilidade à equipa de Augusto Inácio, acabou por aumentar a ansiedade dos homens de Petit, o que ficou bem patente na incapacidade demonstrada para reagir à desvantagem.

Bem organizado, o Desp. Aves não concedia espaços ao futebol direto do Marítimo, que à passagem da meia hora ainda não contava com qualquer remate na direção da baliza de Beunardeau. O técnico dos insulares não quis esperar muito tempo e lançou pouco depois Rodrigo Pinho, por troca com Gamboa.

Mas a reação madeirense não apareceu. O jogo manteve-se pobre tecnicamente, com muitos erros individuais, sobretudo por parte da equipa da casa, que foi para o descanso com um único remate, assinado por Pinho aos 43 minutos.

O regresso das cabines trouxe o mesmo filme. O Marítimo beneficiou de um certo recuo da linhas avenses, mas a falta de ideias evidenciada depois de chegar ao último terço continuou a ser notória. Petit sentiu-se novamente forçado a mexer, e promoveu mais uma estreia na I Liga, a do extremo Ruan Teles, por troca com de defesa Bebeto,   

O tudo ou nada dos madeirenses em busca da igualdade, que continuou marcado por erros individuais, permitiu muitas brechas no meio campo que foram sendo aproveitadas pelo Desp. Aves para desenhar transições rápidas ou lances de puro contra-ataque, que só não redundaram em golo por força de arrojadas e atentas intervenções de Charles.

Com o aproximar do final da partida, a formação de Vila das Aves passou a apostar claramente na gestão do jogo e fê-lo com grande eficácia, o que enervou ainda mais o jogo dos insulares. A melhor oportunidade de golo da equipa de Petit chegou mesmo já em período de descontos, mas Joel Tagueu, já perto da pequena área, cabeceou para fora após ser servido por Getterson.

Raul Caires / no Estádio dos Barreiros, Funchal