Marcar primeiro. Saber sofrer. Confirmar com frieza. O Desportivo das Aves deu um passo importante pela manutenção, ao bater o Rio Ave, por 2-0, em Vila do Conde. A equipa de Augusto Inácio aguentou a pressão do Rio Ave após o golo inicial de Rodrigo e foi letal em contra-ataque, ao sentenciar por Mama Baldé perto do fim.

A saber que não cairia para os lugares de descida – dadas as derrotas de Tondela e Desp. Chaves no sábado – o Desp. Aves mostrou-se nos Arcos com o mesmo 3x4x3 e apenas mudou um jogador: Falcão, no lugar do castigado Fariña. No Rio Ave, Ramos lançou Afonso Figueiredo, Filipe Augusto e Bruno Moreira, nos lugares de Coentrão, Leandrinho e Murilo. E fez uma quarta alteração, forçada, em cima do jogo: Ahmed Said entrou na vez de Ronan.

Entrou bem o Rio Ave, num 4x2x3x1 que decalcou as qualidades de Galeno e Jambor, os elementos mais perigosos do Rio Ave. Ainda assim, o Aves, com menos posse (32 para 68 do Rio Ave na primeira parte), foi mais pragmático, rápido e perigoso a atacar a baliza.

Jorge Fellipe deu o primeiro aviso, numa cabeçada defendida por Léo Jardim (6’). Isto entre a melhor entrada da equipa da casa: bom aproveitamento da largura, qualidade de passe acentuada por Jambor e velocidade de ponta de Galeno.

Os da casa, apesar dos maiores intentos, foram vergando a um Desp. Aves coeso e eficaz a defender. Tirando uma investida de Galeno (12’) e um remate de Diego Lopes socado por Beunardeau (31’), o Rio Ave não mais levou perigo à baliza contrária. Do outro lado, Falcão testou Léo Jardim (23’) e Jorge Fellipe falhou um golo certo na cara de Léo, após livre de Rodrigo (26’).

Rio Ave-Desp. Aves: o filme e a ficha de jogo

O lance mostrou a crescente capacidade dos avenses no ataque, acentuada na ocasião que origina o penálti que Rodrigou converteu, aos 36 minutos. Tudo nasceu numa perdida de Mama Baldé na cara de Léo. Depois, o guardião defendeu uma carambola em Luquinhas, mas fez falta sobre Vítor Gomes para o castigo máximo.

O Rio Ave, que adormeceu até ao intervalo, intensificou a pressão à procura do empate na segunda parte, mas esbarrou na compacta defesa avense e na ineficácia. Beunardeau negou o 1-1 a Diego Lopes (55’) e Galeno viu a bola esbarrar em Diego Galo, num lance iniciado pelo estreante Nuno Santos, de regresso após longa lesão.

Quem voltou também, ao fim de quatro meses, foi Gelson Dala. No risco total, Daniel Ramos tirou Filipe Augusto do meio campo e lançou o angolano na frente. Mas sem frutos.

Rio Ave-Desp. Aves: os destaques do triunfo avense

O Aves defendeu-se bem e matou o jogo à frente, numa rápida jogada iniciada e concluída por Mama Baldé, que finalizou a passe de Vítor Gomes, após cruzamento de Derley (83'). O extremo podia ter causado mais estragos a seguir, num falhanço inacreditável na cara de Léo.

Ao quinto jogo como visitante, com Inácio, os avenses somaram a terceira vitória fora, entre dois empates. Do outro lado, o cenário continua difícil para Ramos: em seis jornadas caseiras ao leme, zero vitórias. E os 32 pontos nunca podem dar descanso pela permanência, alimentada este domingo pelo detentor da Taça.

É caso para dizer que estas Aves voam longe da Vila.

Ricardo Jorge Castro / Estádio do Rio Ave FC, Vila do Conde