Com 11, com dez e até com nove unidades, o Tondela aguentou todos os ataques do Desportivo de Chaves e garantiu um precioso ponto.

FILME E FICHA DE JOGO

Incrível. Em jogo condicionado com duas expulsões para os beirões, os flavienses não aproveitaram para somar a terceira vitória consecutiva. Do outro lado, equipa do Tondela voltou a pontuar, com um ponto que sabe a ouro face às circunstâncias da partida.

Com os transmontanos a subirem de forma e depois de terem somado o segundo triunfo consecutivo, ao vencer no Estoril, o técnico do Desportivo de Chaves, Luís Castro, apostou pelo quarto jogo consecutivo no mesmo onze.

Face à derrota caseira com o Sp. Braga, o treinador do Tondela, Pepa, fez três alterações no onze, com Fahd Moufi e Zachara a saírem para darem lugar a Pedro Nuno e Bruno Monteiro.

Tinha razão Luís Castro em temer o adversário da 8.ª jornada a jogar fora, pois o Tondela conseguiu repartir o jogo num momento inicial, contrariando a natureza dos flavienses em ter a bola. Mas a partida tinha muitos percalços para condicionar estratégias e formas de jogar.

Com 10 minutos de total equilíbrio, até nas oportunidades estas foram bem divididas, e sempre que uma equipa atacava, a outra respondia. De realce, a oportunidade desperdiçada pelos flavienses logo aos 2 minutos, num livre de Bressan que Jefferson sozinho em plena área não conseguiu cabecear para golo, vendo Cláudio Ramos brilhar.

As bolas paradas flavienses e a autodestruição dos beirões

Do outro lado, aos 4', Murilo punha Paulinho em apuros, ao ganhar-lhe as costas, mas o lateral da equipa da casa ainda recuperou a tempo de evitar que o atacante ficasse sozinho na cara de Ricardo.

A jogada mais bonita da primeira parte surgiu aos 9', quando o Chaves já reclamava o domínio para si. Tiba lançou Paulinho na direita, que combinou com Perdigão, este devolveu e o lateral colocou a bola para William que na área desviou ao lado.

Era o prenúncio do que estava para surgir. O Tondela dava boa conta do recado mas erra num pormenor: o número de faltas cometidas.

Aos 12 minutos Davidson ganhou um livre pela esquerda e Bressan tratou de oferecer o golo a William, que em jogada estudada apareceu ao primeiro poste e num toque subtil fez o golo.

O que o videoárbitro dá, o vídeo árbitro tira

Tudo parecia correr bem para a equipa transmontana. De tal forma que aos 18 minutos Júnior Pius auto-excluiu-se do jogo, ao fazer uma entrada imprudente sobre William. O árbitro Bruno Paixão teve de recorrer ao videoárbitro, mas a expulsão deu justiça. Pepa era obrigado a refazer a equipa e Claude passou para central.

A bola era agora da equipa da casa, que já não tinha de batalhar tanto para a ter em sua posse, mas o jogo tornou-se enfadonho, de tal forma que os beirões reagiram, e de que maneira.

RESUMO DO JOGO EM VÍDEO

Já em cima da meia hora, Jefferson falhou um corte de uma bola longa e viu Ricardo corrigir, tendo de dar canto perante o remate de Tomané. Na bola parada, a bola sobra para o segundo poste, onde Ricardo Costa atira de cabeça, Tomané desvia e Hélder Tavares faz golo. Foi necessário recorrer novamente ao videoárbitro para haver certeza quanto à posição do homem que marcou, mas Bruno Paixão, validou, e bem o tento do empate.

Impróprio para cardíacos, embora as longas pausas do videoárbitro permitissem descansar o coração de todos os presentes, voltaram os transmontanos ‘à carga’ à procura de nova vantagem.

A equipa de Luís Castro ainda andou perdida após o golo, mas terminou em cima com remates perigosos de Davidson e Tiba, este por duas vezes, com Cláudio Ramos a encaixar com segurança.

Novo tiro do pé do Tondela

Não perdendo tempo, e insatisfeito com o empate, o técnico dos transmontanos mexeu ao intervalo, refrescando o ataque com Matheus Pereira e Tiago Galvão, saindo Perdigão e Jefferson, este um médio defensivo.

Thiago Galvão podia ter sido o herói logo aos 51 minutos, quando atirou de cabeça para enorme defesa de Cláudio Ramos, não concluindo o passe já na área de William, após cruzamento de Paulinho.

Sem recorrer ao videoárbitro desta vez, Bruno Paixão foi obrigado a ir outra vez ao bolso do cartão vermelho, quando Joãozinho teve uma entrada ‘a matar’ sobre Matheus Pereira, a segunda em poucos minutos, e aos 55 minutos o Tondela ficou a jogar com nove elementos. Desta vez, a adaptação teve de vir do banco e Pepa lançou Pité e os visitantes ficaram a jogar com três centrais.

Se já com mais uma unidade a equipa flaviense dominava, com mais dois homens, apenas com rasgos individuais o Tondela conseguia respirar. Mas, ainda assim, as oportunidades flagrantes, tal como na primeira parte, demoravam a aparecer.

Aos 57 minutos Paulinho voltou a fazer uma assistência, agora para William, mas o avançado não foi feliz desta vez. Aos 68, Jorginho foi bem isolado na direita por Tiba, mas o cruzamento não apanhou ninguém ao segundo poste.

Os rasgos individuais do Tondela assustavam, e as 66 minutos Murilo tentou fazer tudo sozinho mas atirou ao lado, e, aos 68 minutos, Pedro Nuno tentou o chapéu mas a bola saiu ao lado. Já aos 85 minutos, em mais um contra-ataque, Tyler Boyd serviu Pedro Nuno e o perigo esteve mesmo a rondar a baliza flaviense.

Com seis minutos de compensação pela frente, os últimos suspiros dos ataques do Chaves mostraram a falta de inspiração, num momento decisivo do encontro. Primeiro, Bressan, de livre direto conquistado por Galvão, viu Cláudio Ramos mostrar segurança. Depois, Davidson isolou-se em plena grande área mas não conseguiu o toque final.

Não é justo, de todo, dizer que o Desportivo de Chaves não tentou vencer o jogo, mas é importante realçar que faltou mais calma e estratégia para a equipa da casa chegar ao tento decisivo, quando tinha mais dois homens que o adversário desde os 55 minutos.

Diogo Caldas