Não foi sorte, mas desta vez a sorte do Benfica foi diferente. Não foi acaso, mas também não mudou tudo de repente. O tempo não o permitia, até porque a sucessão de Bruno Lage foi assumida interinamente por um dos seus adjuntos. Mas por mais que seja injusto individualizar, a verdade é que a vitória do Benfica teve acima de tudo Gabriel.

Uma das três novidades do onze de estreia de Nélson Veríssimo como interino (as outras foram Rúben Dias e Seferovic), Gabriel esteve associado a todos os golos do triunfo encarnado. Disseram-lhe que era preciso estancar a ferida aberta, e ele meteu lá a bola.

O Benfica chegou à vantagem logo na primeira ocasião, de resto. O passe de Gabriel até acabou nas mãos de Helton Leite, mas o guarda-redes axadrezado largou a bola após chocar com André Almeida, e o lateral aproveitou para inaugurar o marcador (13m).

O guarda-redes do Boavista ficou a pedir falta, sem sucesso, mas não se deixou abalar pelo lance, e assinou depois várias intervenções de grande nível. Seferovic que o diga, já que viu negados dois golos logo de seguida (19 e 30m).

Mas se por vezes Gabriel é figura demasiado presente na construção de jogo do Benfica, desta vez foi tirado proveito da liberdade que o Boavista concedeu ao esquerdino, mesmo em zonas adiantadas do terreno.

Assim se explica a tranquilidade com que o camisola 8 do Benfica desenhou o cruzamento milimétrico para Pizzi fazer o 2-0, ao minuto 32.

Só aí o Boavista respondeu, e até colocou a bola no fundo da baliza de Vlachodimos, mas Dulanto, que tinha entrado no onze em cima do apito inicial, por força da lesão de Lucas, foi apanhado em posição irregular.

Mas a Gabriel bastou a primeira parte para assumir o estatuto de figura do jogo, e depois de “assistência e meia” o médio assinou o terceiro golo do Benfica, com um remate do limite da área que ainda desviou em Ricardo Costa.

As águias foram para o intervalo com vantagem folgada, mas o desaire de Portimão ainda estava bem presente na memória, pelo que o início da segunda parte serviu para ir à procura de mais um golo. Helton Leite voltou a brilhar nessa altura, primeiro para negar o «bis» a Pizzi e depois para vencer novo capítulo do duelo com Seferovic.

A verdade é que, depois, o tal «fantasma» algarvio ainda ameaçou pairar na Luz. A fragilidade encarnada nas bolas paradas voltou a ficar bem patente ao minuto 64, quando Dulanto, desta vez em posição regular, reduziu mesmo a diferença.

Ainda assim o jogo acabou por não fugir propriamente ao controlo da equipa agora orientada por Nélson Veríssimo. O Benfica até espreitou a goleada, mas o golo de Carlos Vinícius foi anulado por fora de jogo.

Gabriel tinha saído pouco antes, e foi ele a encontrar o caminho para o regresso aos triunfos. O Benfica ganhou mais uns dias para curar a ferida.

Nuno Travassos / Estádio da Luz, Lisboa