O Portimonense aproveitou um clamoroso erro dos madeirenses para se colocar em vantagem mas foi a melhor equipa em praticamente todo o jogo, vencendo de forma justa por 3-2 e ganhando novo fôlego para a batalha da permanência.

Separados por sete pontos, o encontro entre algarvios e madeirenses era considerado de grande importância para os dois clubes: o Portimonense tinha uma janela de oportunidade para colocar a linha de água a escassos quatro pontos do antepenúltimo classificado e o Marítimo afastar-se dela, colocando-a a 10 pontos de distância.

A equipa algarvia entrou determinada em aproveitar essa possibilidade de aproximação e assumiu o controlo, com uma circulação de bola segura e em todo o campo. Dener e Júnior Tavares no miolo davam segurança absoluta para que Lucas Fernandes se soltasse e organizasse a equipa ofensivamente, com Tabata e Aylton Boa Morte a movimentarem os flancos.

Com boa pressão sobre os homens do meio-campo dos insulares, os algarvios não permitiam que estes se aproximassem da sua baliza. Por isso, apenas por uma vez (20m) Gonda teve um sobressalto, quando o colega Fali Candé desviou para o poste esquerdo da própria baliza, um livre de Xadas.

De resto, até ao intervalo só deu Portimonense. Aos 11m um cruzamento de Bebeto na direita apanhou Vaz Tê no coração da área, com o avançado a tentar desviar de cabeça, mas fê-lo com o ombro e a bola passou ao lado do poste direito da baliza defendida por Charles. Seis minutos depois Vaz Tê voltou a estar em evidência, num cabeceamento para grande defesa de Charles, desviando a bola para canto.  Do quarto de círculo surgiram duas tentativas e na segunda Jadson cabeceou à barra, mas o lance foi anulado por Manuel Mota, por fora de jogo.

Depois dos avisos, os algarvios marcaram mesmo, aproveitando o desentendimento e passividade defensiva do adversário.

O primeiro aos 24m, numa asneira da grossa de René Santos e Charles: Vaz Tê mete em Tabata, com o central do Marítimo a antecipar-se e a atrasar para o guarda-redes que ficou a dormir e deixou que Tabata se intrometesse para desviar cruzado por entre as pernas de Charles. René Santos em cima da linha, também não conseguiu evitar que a bola rolasse para dentro da baliza.

O segundo aos 39m, por Aylton Boa Morte, na sequência de um livre na direita apontado por Tabata: Bebeto cortou de forma defeituosa com o ombro, colocando a bola em Boa Morte, que acreditou e antes que esta saísse para canto, desviou em esforço e junto ao relvado, por entre as pernas de Charles.

Antes do intervalo, Lucas Fernandes colocou a bola em Tabata, mas Zainadine foi competente no corte e evitou que a bola chegasse ao extremo do Portimonense, que estava em zona privilegiada de finalização.

José Gomes não gostou da produção da sua equipa e efetuou duas substituições no reatamento: entraram Pelágio e Edgar Costa, para os lugares de Bebeto e Xadas.

E a atitude da equipa foi mais ofensiva, com o golo de Rodrigo Pinho (52m) na sequência de um canto a voltar a dar ânimo para voltar a colocar o Marítimo na discussão do resultado. E pouco depois Edgar Costa visou a baliza num remate forte, mas a bola passou ligeiramente ao lado.

Não demorou muito tempo para o ânimo dos madeirenses sofrer forte revés. O Portimonense foi rápido a reagir e seis minutos depois voltou a colocar a vantagem em dois golos. Numa jogada de Tabata na direita, com cruzamento para a área e Vaz Té a tocar de cabeça num lance dividido com Pelágio, a bola sobrou para Hackman, que de costas dominou a bola com o pé direito e virou-se para rematar com o mesmo pé... mas falhou, fazendo uma «rosca» que enganou Charles com um vistoso chapéu.

Paulo Sérgio aproveitou para dar mais consistência à sua equipa com as entradas de Pedro Sá e (mais tarde) de Bruno Costa e com a colocação de Júnior Tavares na esquerda. E o Marítimo teve muitas dificuldades em contrariar o controlo dos algarvios. Apenas por uma vez a baliza de Gonda foi visada, num livre rasteiro de Edgar Costa, com defesa do guarda-redes nipónico.

Os minutos escoavam-se e até foi do Portimonense a melhor oportunidade, a um minuto do fim do tempo regulamentar, num cabeceamento de Jadson na sequência de livre, que rasou a barra. Nos descontos, Rodrigo Pinho ainda reduziu mas já não houve tempo para mais.

Os algarvios conseguiram reduzir a desvantagem para as primeiras equipas acima da linha de água e estão a quatro pontos do P. Ferreira, que tem menos um jogo, e do... Marítimo.

E, na retoma da Liga, o Portimonense ainda não perdeu, somando oito em doze pontos possíveis, fruto de duas vitórias e dois empates. E tem mostrado que está bem vivo para lutar pela permanência. Os madeirenses, com demasiados erros defensivos, cavaram a própria sepultura.

Jorge Anjinho / Estádio de Portimão