O futebol é liberdade por muitas amarras que lhe queiram colocar. É, também, um desporto que permite ter várias caras durante pouco mais de hora e meia. No fundo, podemos ser o que quisermos. 

E claro, Boavista e Marítimo apresentaram caras distintas em função do que aconteceu. Face às incidências da partida, as duas equipas tiveram forçosamente de renunciar as suas identidades.

Os insulares foram melhores por 11 centímetros (0-1) e deixam o Bessa quase com a manutenção garantida. Se o Portimonense perder em Vila do Conde, esta quinta-feira, os madeirenses ficam com a permanência assegurada.

Em jeito de resumo: foi sofrer e vencer para agora aproveitar o conforto do sofá até ao Rio Ave-Portimonense.

O Marítimo roubou a bola ao Boavista nos primeiros cinco minutos ainda que não tenha criado perigo junto da baliza de Helton Leite. Assim que os axadrezados conseguiram começar a construir a partir de trás, os insulares sofreram. Carraça ameaçou o golo na cobrança de um livre e Bueno ficou a centímetros do 1-0 depois de uma bela jogada coletiva.

O tabuleiro parecia inclinar para o lado preto e branco. Porém, tudo mudou quando Milson (que estreia a titular na Liga!) descobriu Joel Tagueu. O camaronês fugiu à defesa contrária, driblou Helton e inaugurou o marcador. O VAR viu e reviu a jogada: golo validado por 11 centímetros.

A desvantagem no marcador foi um golpe tremendo no Boavista, a melhor equipa até então. Já depois de Xadas ter enviado uma bola à trave, os axadrezados perderam uma das torres na sua estratégia: Fabiano viu novo cartão amarelo, o segundo em dois minutos, e recebeu ordem de expulsão.

Daniel Ramos equilibrou a equipa para a segunda parte, mas esta jamais foi a mesma. De resto, era o que se esperava. O Marítimo jogou a seu bel-prazer e só não chegou ao golo da tranquilidade por causa de Helton Leite. O guarda-redes brasileiro fez três defesas notáveis a dois remates de Milson e um de Zainadine.

Como os insulares não fecharam o jogo, o Boavista foi à procura do empate. E teve perto, é preciso dizê-lo. Os recém-entrados Yusupha e Mateus «inventaram» uma jogada e o avançado da Zâmbia atirou a centímetros da baliza de Amir.

A partir desse lance de Yusupha, ao minuto 71 (atenção), não mais e jogou no Bessa. A partida tornou-se quizilenta, com vários jogadores caídos no relvado e com mais uma expulsão, de Paulinho, e novamente para o Boavista.

Por 11 centímetros, o Marítimo sorri e fica muito perto de garantir a permanência. O Boavista abdicou cedo de atacar, não se deu bem com a outra faceta que mostrou e quando pretendeu mudar outra vez, já foi tarde.

Vítor Maia / Estádio do Bessa, Porto