Normalmente, sentimo-nos confortáveis em casa. Aguentamos pouco tempo longe da nossa cama, do nosso sofá, enfim, de um lugar que é verdadeiramente nosso. Ou devia ser sempre.

O Santa Clara contraria esta teoria. Desde que deixaram os Açores e se instalaram na Cidade do Futebol, os açorianos arrancaram para o melhor ciclo da época até encontrarem o Boavista, por tradição mais forte em casa do que fora (1-0).

O Bessa é terreno hostil, é o refúgio da pantera. Sem o futebol solto e descontraído que apresentou contra Moreirense e Vitória, os axadrezados recuperaram a velha versão: marcar cedo, segurar a magra vantagem e conquistar os três pontos. Por isso, o Santa Clara foi dono e senhor da bola a grande maioria do tempo, mas com dificuldade em contornar a muralha erguida por Daniel Ramos à frente da baliza de Helton.

O Boavista procurou pressionar alto e forçar o erro dos açorianos para aí sim, jogar no meio-campo ofensivo. Foi numa dessas ocasiões que Cassiano foi travado em falta, no corredor esquerdo, por João Afonso. A execução de Bueno foi boa e o erro de Marco crasso: aproveitou Lucas para cabecear para o 1-0.

Após o golo ainda dentro do primeiro quarto de hora (ainda foi revisto pelo VAR), o Boavista entregou por completo a bola ao Santa Clara. A verdade é que o recuo podia ter custado muito caro à pantera. João Afonso esteve perto do golo, mas a trave e logo de seguida Helton, impediram o empate.

A espaços, o Boavista procurou sair sempre através de arrancadas individuais. Porém, nunca logrou oportunidades para aumentar a diferença no marcador.

A segunda parte foi tremendamente pobre. Muito pobre. Lutou-se muito, mas jogou-se muito pouco. Foi, no fundo, como um longo bocejo. O Santa Clara circulou, circulou e circulou… e não fez qualquer remate enquadrado com a baliza. Os únicos dois lances de perigo foram um cruzamento de Carlos Júnior que desviou num contrário e obrigou Helton a aplicar-se e um disparo de Salomão contra Lucas.

Por sua vez, o Boavista ainda assustou Marco num remate de Obiora de fora da área. No período de descontos, Heriberto desperdiçou de forma clara o 2-0. A acontecer o 2-0, seria demasiado para o futebol que ambos jogaram.

Depois do triunfo na Luz, o Santa Clara desceu à terra e sofreu a primeira derrota pós-confinamento. Por sua vez, o Boavista atirou para trás das costas a goleada no dérbi da Invicta e igualou os açorianos no oitavo lugar com 38 pontos.   

Vítor Maia / Estádio do Bessa, Porto