Do mal o menos.

Estoril e Santa Clara empataram esta noite, a duas bolas, numa partida a contar para a 12.ª jornada da Liga. Os canarinhos foram superiores, mas tiveram dificuldades em transformar isso em, pelo menos, mais ameaças à baliza contrária. Estiveram a perder duas vezes, mas em ambas as situações conseguiram ir buscar o resultado.

O Santa Clara soube criar dificuldades ao adversário, principalmente através de transições, mas ainda não foi desta que voltou a ganhar para o campeonato, no dia em que se cumprem exatamente três meses do último triunfo na Liga, frente ao Gil Vicente – estiveram a escassos minutos de voltarem a sorrir esta segunda-feira.

O jogo do gato e do rato

À partida para este jogo, as duas formações estavam em lados da barricada bem opostos. O Estoril, no regresso ao principal escalão do futebol português, tem sido a sensação desta campanha de 2021/2022. O quarto lugar na classificação não mente. O Santa Clara, lá está, entrou em campo pressionada pelos maus resultados e com a etiqueta de último classificado da Liga.

No António Coimbra da Mota, começou melhor o Santa Clara, mas foi sol de pouca dura até ao estilo de posse estorilista, imagem de marca de Bruno Pinheiro, assumir as rédeas do jogo.

E assim começou o jogo do gato e do rato: o Estoril com bola, o Santa Clara a tentar combater isso com transições rápidas, apoiadas na velocidade do irreverente Ricardinho. E foi precisamente por aí que o açor chegou à vantagem, num lance conduzido pelo extremo e finalizado por Lincoln, já depois do passe de Rui Costa.

Se o Estoril já era dono da bola, mais ficou depois desse golo aos 15 minutos. E não demorou muito até conseguir levá-la a beijar as redes de Marco, num grande lance entre Carles Soria e Arthur, finalizado por Rosier.

Nove minutos separaram os golos das duas equipas, mas o jogo do gato e do rato continuou. A bolap permaneceu do lado do Estoril, mas curiosamente, foi o Santa Clara a ser mais perigoso na área contrária.

Soria, de herói a vilão

Na segunda parte, Bruno Pinheiro tirou Gamboa e lançou André Franco para jogo. Os canarinhos ganharam no jogo entrelinhas, mas perderam qualidade na primeira fase de construção. O Santa Clara ficou mais confortável, Pinheiro lançou Xavier e Rodrigo Valente para voltar a ‘chatear’ os açorianos, mas foi traído por Carles Soria.

Um dos melhores em campo até ao momento, o lateral espanhol entregou o ouro ao bandido aos 64 minutos, quando, na tentativa de cortar a bola em esforço, entregou a Cryza. O avançado brasileiro, depois de galgar vários metros, fez o resto.

André Franco no penálti da justiça

O Estoril voltou à estaca zero, mas a reação foi a mesma. Sem grande acerto no último terço, é certo, mas sempre a empurrar os açorianos para a sua área. E os homens da casa foram recompensados, num penálti concretizado por André Franco, conquistado com um remate de Xavier desviado pelo braço de Morita.

A dois minutos dos 90, o jogo vestiu-se com alguma justiça – mas não com toda.

O Estoril segurou assim, nem que seja por algumas horas – fica à espera do Sp. Braga –, o segundo lugar da Liga e fica a dever a si próprio uma maior assertividade no último terço para transforma a posse em situações de golo, num jogo em que foi melhor. O Santa Clara continua com a lanterna-vermelha na mão, mas agora mais perto de a largar. E já se sabe: grão a grão…  

Rafael Vaz / Estádio António Coimbra da Mota, Estoril