- Alô, é da Liga portuguesa?

- Sim, sim… quem joga?

- Famalicão-Tondela: candidato-me a um dos jogos da época: cinco golos, mais um anulado, dez minutos de compensação, reviravolta perto e choque no fim. Chega?

- Conte mais, conte mais…

E nós contamos. Que espetáculo neste final de tarde em Famalicão, com o Tondela a impor a primeira derrota caseira na Liga à equipa sensação até ao momento!

Os beirões deixaram escapar uma vantagem de dois golos, pareciam segurar a todo o custo o ponto, mas um golo de Murillo gelou o Municipal de Famalicão e deu os três pontos à equipa de Natxo.

Redenção total do venezuelano, que no início da segunda parte teve o 1-3 nos pés, mas assinou um dos falhanços da época. A equipa de João Pedro Sousa assumiu em muitos períodos as despesas do jogo, mas acabou sem glória. De forma penosa.

Mas vamos ao filme desde início. Vale a pena, leitor. Ainda que haja sentimentos contraditórios.

O Famalicão entrou decidido a pôr termo a três jornadas sem vitórias. Assumiu o jogo e o Tondela só cheirou a bola nos primeiros cinco minutos. Porém, foi este a marcar. Foi frio, tal como o final de tarde.

Sem fazer mais que três passes seguidos até então, o Tondela ganhou um canto que João Pedro cobrou para Pepelu desviar entre Racic e Gustavo Assunção: seis minutos e um remate davam vantagem assente na eficácia.

Se é verdade que o Famalicão pouco acusou o golo, não é errado que teve dificuldade em criar perigo nos minutos seguintes. O Tondela tapava bem ao centro, obrigando os locais a apostar nos corredores. Só um rasgo individual de Diogo Gonçalves testou Cláudio Ramos (13m).

Lembra-se do acima descrito? O Famalicão cometeu pecado capital ao tentar jogar pelo meio. Bruno Wilson intercetou um passe de Nehuén Pérez e lançou João Pedro para este servir Xavier. Riccieli e Pérez chocaram entre o sprint do extremo, que assinou o 0-2 na recarga a um primeiro remate travado por Roderick.

O resultado premiava o oportunismo de um lado e a displicência do outro. E foram valendo os guardiões a seguir. Ramos quase era traído num cabeceamento de Fábio Martins desviado em Moufi, mas esticou-se e defendeu. Depois, Defendi negou o 0-3 num cruzamento de João Pedro desviado num colega.

O Famalicão foi galardoado pela insistência perto do intervalo e relançou o jogo. Não ia lá de bola corrida, ia de bola parada. Um canto batido curto por Fábio Martins encontrou Pedro Gonçalves para um cruzamento que trocou as voltas ao Tondela e fez Roderick reduzir a diferença ao minuto 39.

Famalicão-Tondela: a ficha e o filme do jogo

João Pedro Sousa e Natxo tiraram os homens mais apagados da primeira parte. Um jogou ao ataque e outro à defesa. Com Rúben Lameiras, Diogo Gonçalves recuou para ocupar o lugar deixado por Riccieli. Já o espanhol abdicou de Strkalj e reforçou a defesa com Philipe Sampaio. Apostas refletidas em maior Fama e proveito para os da casa.

Já depois do falhanço de Murillo, o talento de Pedro Gonçalves. Depois da assistência, o médio arrancou uma bela jogada e foi travado por Philipe Sampaio para um penálti que Fábio Martins não desperdiçou.

O frenesim do jogo fazia adivinhar mais golos e estes só não aconteceram por culpa dos homens da baliza. Aliás, o Famalicão até marcou ao minuto 70, por Anderson, mas o golo foi anulado… cinco minutos depois, por alegado fora de jogo do brasileiro, num lance de total dúvida. Antes, já este falhara, em resposta a um livre de João Pedro que obrigou Defendi a voar para uma das defesas da noite. Natxo abdicou do médio à hora de jogo, aparentemente chateado pela saída.

Os famalicenses sufocaram o Tondela na reta final, mas foram castigados pela permissividade atrás: um pontapé longo de Cláudio Ramos encontrou Toro para um passe que isolou Murillo, que resgatou tudo: os três pontos e a fama de decisivo, no sexto de dez minutos extra.

Liga, sou candidato?

Ricardo Jorge Castro / Estádio Municipal de Famalicão, Famalicão