Dezoito anos e meio depois, o mítico São Luís voltou a receber jogos do nosso principal campeonato.  No dia 5 de maio de 2002 o Farense despediu-se do patamar mais alto com uma vitória (3-2) sobre o Gil Vicente, no ano da descida. Agora, no regresso, nova vitória, a primeira no campeonato. Com justiça, refira-se.

As boas indicações dadas pelas duas equipas na pretérita jornada indiciavam continuidade, pelo que só por razões forçadas os treinadores iriam mexer nos onzes iniciais e foi isso que aconteceu: no Farense, Sérgio Vieira substituiu o lesionado Fábio Nunes por Abner Filipe, e no Boavista, Vasco Seabra teve duas contrariedades de última hora, com as ausências de Ricardo Magas e Reisinho, que acusaram positivo à covid-19, entrando Javi Garcia e Nuno Santos para os seus lugares. Taticamente, o Farense apresentou-se no habitual 4x3x3 e o Boavista no 3x4x3 que bom resultado deu no jogo com o Benfica.

A primeira metade foi marcada por antagonismos, com os golos de ambas as equipas a surgirem nos momentos em que o adversário estava por cima. O Boavista começou melhor, com Paulinho em evidência e a ser protagonista de dois remates perigosos aos 6 e 21 minutos, com o primeiro a rasar a base do poste esquerdo e o segundo a ser parado pelos pés de Defendi. No minuto imediato, o Farense, na primeira vez que se acercou da baliza boavisteira, marcou, por Ryan Gauld: o escocês iniciou a jogada, trocou com Mansilla, que cruzou para a área, com Javi Garcia a não desfazer, sobrando a bola para o escocês, que não perdoou.

Cresceu o Farense e Gauld teve novamente oportunidade de festejar, mas o cabeceamento foi defendido de forma superior por Léo Jardim, desviando com uma palmada para canto. Antes do intervalo e com os algarvios no controlo das operações, aconteceu o segundo momento antagónico: Angel Gomes em iniciativa individual pelo centro, colocou com precisão a bola junto à base do poste esquerdo e igualou o marcador.

Gauld voltou a ser determinante após o intervalo, colocando com precisão a bola na cabeça de Stojiljkovic, num canto do lado direito. Três minutos depois a mesma arma deu novo avanço algarvio no marcador, com Amine a cobrar novo pontapé de canto, agora na esquerda, para o central Eduardo Mancha finalizar também de cabeça ao segundo poste, entre Hamache e Show. Em oito minutos, o Farense ganhou um confortável avanço e obrigou Vasco Seabra a reforçar o ataque, mudando para 4x4x2, com a entrada de Yusupha, retirando Javi Garcia.

O Boavista subiu a equipa, aproximou-se da baliza de Defendi, mas também se destapou atrás e permitiu transições rápidas ao Farense. Com o jogo controlado, os algarvios até nem passaram por muitos sobressaltos para segurar a primeira vitória no campeonato e nas duas escassas oportunidades que houve até final, uma pertenceu a Mansilla, com Léo Jardim a evitar o quarto dos algarvios. Chidozie, de cabeça, falhou a única que os axadrezados tiveram para encurtar distâncias. Um pouco antes dos descontos a missão boavisteira complicou-se, com Benguché a lesionar-se com gravidade, tendo sido transportado de maca para fora dos relvados.

Jorge Anjinho