Perigo! Dragões à solta.

O FC Porto aplicou uma goleada ao Moreirense (5-0) depois de uma segunda parte irrepreensível. Os cónegos tiveram o mérito de dificultar a vida aos dragões na primeira parte, mas foram dizimados na segunda metade.

As ressacas (europeias) nunca são boas, não concorda? O FC Porto obrigou-nos a dar a mão à palmatória e reconhecer que de facto, podemos estar errados. Quando se junta talento e qualidade à festa, a música é outra e até o champanhe tem outro sabor.

Conceição escolheu juntar Vitinha, Fábio Vieira, Díaz, Otávio, Uribe e Taremi nas duas linhas mais avançados e ainda colocou Wendell, João Mário e Marcano no quarteto defensivo. Os primeiros trinta minutos não foram de grande nível e pairou o fantasma do jogo com o Boavista do ano passado. No entanto, é preciso realçar o mérito do Moreirense. João Henriques é um homem de palavra e cumpriu o que prometeu: uma equipa a jogar no campo todo.

A primeira situação junto de uma das balizas pertenceu aos cónegos – pontapé de Fábio Pacheco ao lado. Ousados, os minhotos conseguiram controlar as investidas do FC Porto – dois remates por cima de Fábio Vieira e Wendell - até ao génio de Vitinha se soltar. O lance acabou com Paulinho a travar Taremi na área. O iraniano marcou o penálti e transformou um final de tarde cinzento numa noite colorida.

A história poderia ter sido escrita de forma diferente. Porém, Rafael Martins, pressionado por Marcano, não conseguiu desviar para a baliza o cruzamento de Walterson.

A segunda parte foi uma sucessão de erros do Moreirense que permitiu ao FC Porto libertar-se e produzir um futebol de nível elevado. Os cónegos, que provavelmente pagaram cara a ousadia que mostraram, viram o jogo fugir-lhes quando Pasinato deixou a bola nos pés de Fábio Vieira e este assistiu Díaz para o 2-0.

O Moreirense não foi capaz de controlar os contra-ataques dos dragões e voltou a sofrer o 3-0 por Díaz – vive um momento de forma tremendo. A partir daí, deu para Taremi fazer o que quis de Passinato e também ele assinar o bis. Deu também, para Díaz recriar-se com a bola e para Fábio Vieira assistir Pepê para o primeiro golo com a camisola azul e branco e fazer um hat-trick de assistências.

A goleada de mão cheia acabou por ser um castigo demasiado cruel para o Moreirense que pagou caro a ousadia. 

Vítor Maia / Estádio do Dragão, Porto