A FIGURA: Toni Martínez

É possível entrar a quatro minutos dos 90 e ser a figura do jogo. Esta noite, Toni foi o herói improvável. O homem que só não fez o Dragão explodir de alegria porque a falta de público nos estádios retira emoção a finais épicos como este. Para compensar, o espanhol ex-Famalicão deslizou sobre a relva e o banco do FC Porto uniu-se a ele num abraço só. Depois de marcar ao Fabril, para a Taça, e ao Moreirense, para a Liga, Martínez, que já havia ameaçado momentos antes no jogo, fez o golo mais decisivo desde que chegou ao Dragão e resgatou uma vitória do fundo da alma. Herói, pois claro.

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O MOMENTO: minuto 90+5, Jesús e Toni em noite de ressurreição

O Santa Clara foi traído pela ambição. É uma perspetiva, se considerarmos que momentos antes do golo do triunfo portista os açorianos tiveram um canto a favor, arriscando colocar a bola na área, ao invés de a guardar. A outra é perceber como o talento de Corona e o querer de Toni Martínez podem resolver um jogo num ápice. O mexicano tenta um primeiro cruzamento e acaba por não desistir do lance, voltando à carga para uma nova vaga. Aí, deixou Rafael Ramos para trás, ganhou a linha de fundo e picou com precisão para Toni Martínez cabecear para a vitória. Um pequeno milagre isto de Jesús e Toni fazerem desta uma noite de ressurreição.

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OUTROS DESTAQUES:

Sérgio Oliveira

O FC Porto mostrou dificuldades na primeira parte e só não andou mais à deriva porque teve em Sérgio o seu farol. O médio tentou remar contra a maré de aparente desorientação portista e visou a baliza um par de vezes. Quando não o fez, tentou pautar o jogo e servir os companheiros de equipa, a quem faltou, ainda assim, maior esclarecimento para definir no último terço.  

Corona e Fábio Vieira

Trouxeram critério de passe e imprevisibilidade. Não é pouco. Depois de brilhar no Euro sub-21, Fábio voltou com a confiança de quem joga de cabeça levantada e dispõe de um pé esquerdo que parece uma luva. Já Corona, bom, esse é o maior desequilibrador do campeonato e tal como Francisco Conceição – a espaços – rompeu pelo flanco, obrigando os açorianos a ligar os sinais de alarme no setor recuado. Haveria de ser decisivo aos 90+5, com aquele passe açucarado que Martínez não desmereceu.

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Lincoln

Tecnicamente dotado, é pelo brasileiro que tem de passar o jogo ofensivo do Santa Clara. E quando não é de bola corrida, Lincoln faz a diferença nas bolas paradas, ao colocar com precisão milimétrica a bola na cabeça ou nos pés dos colegas de equipa. Um perigo constante este médio de 22 anos ex-Grémio, que já na segunda parte sofreu o penálti que valeu ao Santa Clara a igualdade que subsistiria até aos descontos.

Carlos Jr.

Marcou por duas vezes no Dragão, só uma contou. Se na primeira parte 28 centímetros lhe tiraram um golo obtido numa posição ilegal, na segunda uma conversão de uma grande penalidade sem hipóteses para Marchesín fez tremer o campeão nacional e ajudou-o a fazer história no Santa Clara: igualou Thiago Santana como melhor marcador da história dos açorianos na Liga, com 15 golos.

Sérgio Pires / Estádio do Dragão, Porto