Depois do abate à águia lisboeta, na jornada passada – triunfo por 2-0 frente ao Benfica –, o Marítimo voltou a vencer nova águia, desta feita a dos Açores: num duelo inédito na Cidade de Futebol, os madeirenses bateram o Santa Clara, por 1-0, e deram um passo gigante para garantir a permanência.

Embalados por essa vitória importante com o Benfica, o Marítimo aterrou em Lisboa disposto a dar sequência aos bons resultados, e conseguiu. Longe de uma exibição exuberante, é verdade, mas os homens de José Gomes, talvez por terem a vida mais dificultada nesta altura do campeonato, agarraram-se ao jogo desde o primeiro minuto.

Mas longe da exuberância, é importante repetir. O emblema madeirense, num sistema de três centrais que privilegiava a profundidade dos dois alas – o incansável Nanu e Fábio China –, entrou mellhor, sim, mas sem que isso se traduzisse na baliza adversária.

O Santa Clara primeiro estranhou, mas depois, mais solto pela situação que atravessa na tabela classificativa, equilibrou a contenda, numa luta muito central e pouco chegada às balizas adversárias.

Em cima do intervalo, porém, o Marítimo apertou com o Santa Clara e esteve perto do golo por duas vezes. Rafael Ramos e o poste impediram o 1-0 aos 37 minutos e depois Marco, com a defesa do golo, negou o primeiro a Rodrigo Pinho.

Lincoln agitou, mas foi Xadas a faturar

Sem grandes perspetivas dentro do retângulo de jogo, João Henriques e José Gomes começaram a abrir o jogo e a lançar as cartas que tinham no banco. Lincoln entrou do lado do Santa Clara e foi notória a sua presença em campo. O esquerdino voltou a demonstrar o porquê de ser um dos melhores dos açorianos e fez crescer o Santa Clara.

Logo após a entrada do brasileiro, Carlos Jr atirou uma bomba à baliza de Amir e logo a seguir, precisamente num livre cobrado por Lincoln, João Afonso e Thiago Santana estiveram perto do golo.

O Santa Clara atravessava porventura o melhor período no jogo, mas foi sol de pouca dura. Do outro lado, José Gomes lançou Xadas e Joel e o Marítimo ganhou outra presença ofensiva.

O médio emprestado pelo Sp. Braga deu outra qualidade à posse dos madeirenses e foi dele, de resto, o golo que valeu três pontos preciosos ao Marítimo. Um lance algo confuso – o livre batido pelo esquerdino não desviou em ninguém e acabou a trair Marco, embora os homens da casa se tenham queixado da irregularidade do lance, – mas que foi suficiente para o conjunto dos Barreiros somar a segunda vitória consecutiva.

Num duelo inédito entre duas equipas das Ilhas disputado no Continente, sorriu o Marítimo, que fez mais pela vida e acabou recompensado. São já sete os pontos de vantagem em relação à linha de água (à condição) e a permanência muito bem encaminhada. O Santa Clara, esse, segue a sua caminhada tranquila no meio da tabela. João Henriques disse, na véspera da partida, querer fazer oito pontos nos cinco jogos que restavam – agora quatro –, mas a primeira oportunidade foi perdida.

Rafael Vaz / Cidade do Futebol, Oeiras