Dadá Maravilha, um dos maiores goleadores da história do futebol brasileiro, tinha uma frase que ficou na memória coletiva do futebol: não há golos feios, feio é não fazer golo.

Ora a frase, devidamente revista e adaptada, serve na perfeição a este Sporting dos tempos modernos: não há vitórias feias, feio é não conseguir a vitória.

Senão veja-se, o Sporting venceu em Barcelos com dois golos de bola parada nos dez minutos finais, venceu o Paços Ferreira com um golo de penálti e uma bola parada e venceu esta noite o Portimonense com uma bola parada e um erro clamoroso do adversário.

Os mais céticos, lá está, podem dizer que são vitórias feias, desengraçadas, mal-apessoadas. Mas não há vitórias feias. Há sim, vitórias. Neste caso seis consecutivas, que garantem no mínimo dez pontos de vantagem antes da visita da próxima jornada ao Estádio do Dragão.

Há também, já agora, vitórias competentes, e este Sporting é muito competente. Inteligente na ocupação dos espaços, prático nas saídas para o ataque, eficiente na reação à perda da bola.

Não é à toa, aliás, que é a melhor defesa do campeonato. É uma equipa que ganha porque defende bem, e que defende bem porque trabalha bem com bola. A forma como reage à perda, caindo de imediato com vários jogadores em cima do adversário, é disso um excelente exemplo.

Este Sporting tem uma urgência violenta em ter a bola, porque sabe que essa é a melhor forma de defender a baliza de Adan. A partir daí é uma equipa paciente, perseverante e obstinada nas suas rotinas, no ataque à profundidade, por exemplo, nas transições rápidas e, claro, nas bolas paradas.

Tudo o que é livres ou cantos transformou-se numa forma eficaz da formação de Ruben Amorim chegar ao golo, como o tem provado os últimos jogos. Há ali muito trabalho de laboratório, muitos ensaios em casa, muito tempo passado a treinar a melhor forma de aproveitar cada bola parada.

Hoje, e numa altura em que o Portimonense prometia dificultar a tarefa leonina, graças a um bom estudo do adversário e a uma ocupação exemplar dos espaços, um livre ainda distante da área permitiu a Pedro Gronçalves meter a bola na área, onde Coates deu um pequeno toque para Feddal desviar para golo (à segunda tentativa) na cara do guarda-redes Samuel.

O relógio marcava 27 minutos e o golo não podia chegar em melhor altura. Até então apenas num remate cruzado de Nuno Santos o Sporting tinha verdadeiramente criado perigo.

A equipa leonina estava a ser melhor, sobre isso não há dúvidas. Mais forte nas transições, na pressão, na recuperação da bola. Mas a forma como o Portimonense defendia de uma forma compacta, ocupando muito bem os espaços, prometia de facto ser um problema. Aquele golo mudou tudo. Até porque logo a seguir Lucas perdeu a bola em zona proibida e Nuno Santos fez o segundo.

O Sporting ficou então completamente cómodo no jogo e com margem para fazer o que mais gosta: controlar o jogo com bola, deixando o tempo correr. Sem precisar de procurar o golo com urgência.

Até ao fim Adán ainda teve de fazer uma ou outra defesa, tal como Samuel do lado contrário, mas nada de muito substancial. No fundo foi uma vitória tranquila da formação leonina, para quem não há vitórias feias.

Feio é não conseguir as vitórias.

Sérgio Pereira / no Estádio de Alvalade, em Lisboa