Declarações do treinador do Moreirense, Ricardo Soares, na sala de imprensa do Estádio do Bessa, após a vitória dos minhotos por 1-0, ante o Boavista, no duelo da 25.ª jornada da I Liga:

«Entrámos bem no jogo, com qualidade. Penso que, até aos 25 minutos, o jogo foi controlado pelo Moreirense. A partir daí, a minha equipa deixou de ter bola, o Boavista chegou-se à frente, foi mais pressionante, agressivo e dificultou-nos o ter mais bola. A circulação também foi lenta. Na segunda parte, entrámos novamente bem. Depois, claramente, o Boavista foi melhor que nós e acabámos por ter alguma felicidade.»

«Foi, dos últimos jogos, principalmente nos últimos sete, o que tivemos menos qualidade. Faltou-nos explosão, velocidade de reação. Temos duas semanas com bola. No entanto, a equipa continua sólida defensivamente. Para nós, não sofrer golo é excelente. Mas o Boavista merecia pelo menos o empate.»

«O futebol, para mim, só faz sentido com público. Imaginem os jogadores, os principais responsáveis por este fenómeno e os artistas disto tudo. Deve ser desolador para os jogadores. No entanto, há gente competente para decidir o não haver adeptos no estádio. Certamente as razões são mais que válidas. A saúde pública tem de estar à frente. Respeito claramente, no entanto é estranho. Gostava de ter os nossos adeptos e os adeptos dos outros.»

«Penso que foi um bom jogo, atendendo às circunstâncias houve momentos bons, quer da minha equipa, quer do Boavista. O jogo nunca esteve seguro, podíamos ter feito o 2-0 e o Boavista teve o jogo em aberto. Cometemos um ou outro erro, fomos pouco agressivos, não fomos rápidos de acordo com a velocidade que o Boavista imprimiu.»

«Tenho uma equipa com qualidade, jogadores com qualidade e aliam a qualidade à grande capacidade de trabalho. O processo é mais fácil de ser desenvolvido. A equipa tem margem de progressão grande e vamos tentar ir buscar toda a capacidade individual ao serviço do coletivo.»

«Trabalhámos os jogadores para este ambiente [sem público]. Fomos ao pormenor de trabalhar mentalmente os atletas para este momento. A equipa que se focasse essencialmente na tarefa e que fosse mais determinada e resiliente, que tivesse um espírito de sacrifício maior, iria certamente vencer o jogo. Os jogadores estiveram focados nas tarefas. Contámos com alguma sorte, mas o penálti também cai do céu: não estou a dizer que não é penálti, mas é um lance fortuito. Parece que a bola batia sempre em nós, mas não é assim, há trabalho, organização defensiva. Nos últimos seis jogos, a equipa só sofre golos de bola parada. Há trabalho e foco dos jogadores.»

Ricardo Jorge Castro / Estádio do Bessa, Porto