Figura: Zé Luís

Não foi de bicicleta que entrou na ficha de jogo à última da hora para o lugar de Fábio Silva. E foi a infelicidade de Aboubakar que obrigou Conceição a chamá-lo ao jogo no primeiro tempo. O destino assim quis e Zé Luís acabou por ser a figura maior da partida. Já tinha somado bons pormenores, mas o melhor estava reservado para o minuto 76. O cabo-verdiano marcou um pontapé de bicicleta delicioso e certamente um dos melhores golos do campeonato. Ah! Não menos importante, foi essa obra de arte que resolveu o jogo. Quem gosta de futebol primeiro abriu a boca de espanto, depois aplaudiu.

Momento: uma bicicleta do homem mais improvável, 76m

A assistência de Telles a partir da esquerda saiu na medida certa, Zé Luís matou a bola no peito, rodou e fez um remate de bicicleta per-fei-to! Ricardo Ribeiro bem voou, no entanto, parecia que nada podia estragar o momento. O golo acabou por dar cor a uma noite cinzenta no Dragão. Há males que vêm por bem, não é?


Outros destaques:


Loum: está mais confiante, nota-se na forma como conduz, dribla e até como passa. Acumulou pormenores interessantes como o túnel delicioso a Diaby, ainda que tenha definido mal no seguimento desses mesmos lances. Fez um jogo interessante, sobretudo no primeiro tempo e coroou-o com o primeiro golo ao quarto jogo como titular. Antes do golo de Zé Luís (76m), tinha criado o lance de maior perigo do FC Porto na segunda parte. Está a aproveitar o castigo de Uribe, sem dúvida.

Pedrinho: a forma como jogou é o exemplo perfeito de como o Paços de Ferreira abordou o jogo. O médio teve tranquilidade com bola, soube sempre encontrar o melhor caminho para ligar o jogo e mostrou qualidade. É verdade que os médios pacenses tiveram muitas vezes tempo e espaço para definir com critério, no entanto, poucos o conseguiram fazer como ele.

Aboubakar: o calvário do camaronês parece não ter fim. O avançado tocou o céu em Berna e voltou a ser titular na Liga – não o era desde setembro de 2018. No entanto, o regresso à Liga foi infeliz, visto que Aboubakar deixou o relvado por lesão aos 38 minutos para a entrada de Zé Luís, jogador que foi para o banco à última hora por troca com Fábio Silva.

Ricardo Ribeiro: fez uma excelente exibição. O guarda-redes deixa o Dragão com dois golos sofridos, embora não tenha qualquer hipótese em ambos. Ricardo ainda somou três intervenções de grau de dificuldade elevada a disparos de Marega, Otávio e Loum. Sai com nota positiva.

Alex Telles: a sua melhor versão foi, finalmente, recuperada. O internacional brasileiro está a crescer de forma. É praticamente intransponível defensivamente e farta-se de conduzir jogo pela lateral esquerda. Loum e Zé Luís bem lhe podem agradecer pelas duas assistências.