O silêncio da Mata Real devolveu-nos o futebol cru. Sem adeptos, o jogo foi falado pelos intervenientes, sons que tantas vezes passam despercebidos aos nossos ouvidos.

O silêncio ofereceu-nos um bom espetáculo e um final dramático. No último suspiro, o Paços de Ferreira chegou ao triunfo (2-1) para infelicidade do Belenenses que fez por merecer, pelo menos, um ponto.

Aos 90+3 o estádio parecia cheio: sistema de som no máximo, banco de suplentes e responsáveis pacenses dentro do relvado. Foi o minuto do autogolo de Cafú que deu uma vitória aos pacenses. 

Mas, depois dos festejos, restou-nos novamente o silêncio. 

Os azuis de Lisboa jogaram melhor na primeira parte. A equipa de Petit, de volta à Capital do Móvel, foi competente e soube jogar o que o jogo pediu. Ora entregou a bola ao adversário, ora saiu curto pelo guarda-redes até encontrar espaço para atacar em velocidade os últimos trinta metros.

De resto, foi dessa forma que chegou ao 1-0 num belo golo de Tiago Esgaio. O lateral combinou com Licá que cruzou para corta da defesa amarela. A bola voltou a defesa que deixou Ricardo pregado ao relvado com um pontapé em jeito de pé esquerdo.

Fruto dos bons desempenhos desde a retoma da Liga, os castores continuaram a tentar chegar à baliza de Koffi. Embora nem sempre o tenham feito de forma ponderada e inteligente, podiam perfeitamente ter empatado num lance sensacional de Douglas Tanque. Porém, Koffi mostrou-se felino entre os postes e travou o pontapé de bicicleta.

 A segunda parte começou praticamente com o golo do empate do Paços de Ferreira. O recém-entrado Adriano Castanheira precisou de apenas cinco minutos para provar a Pepa que merecia um lugar no onze inicial: driblou Rúben Lima e foi travado em falta dentro da área. Douglas Tanque enviou um míssil para o meio da baliza de Koffi e igualou a contenda.

Revigorado pelo empate, o Paços ficou a escassos centímetros da reviravolta. quando João Amaral falhou o desvio em plena pequena área.

As inúmeras substituições e a ânsia de chegar a novo golo roubou ritmo e discernimento às duas formações. O jogo caiu de nível por alguns momentos antes do final dramático.

Zé Uilton e Castanheira foram incapazes de consumar a reviravolta dos pacenses. Parecia que num golpe de sorte a partida poderia cair para o lado do Paços de Ferreira. E assim foi: Uilton fugiu na esquerda, cruzou para a área e a bola desviou em Cafú Phete, seguindo para a baliza do Belenenses.

O Paços de Ferreira respira melhor no silêncio da Mata ao contrário do Belenenses que somou a primeira derrota em sete jogos. 

Vítor Maia / Estádio Capital do Móvel, Paços de Ferreira