A FIGURA: Jonas

Quem tem Jonas, tem direito a sonhar com o campeonato. Não fosse assim, e o Benfica há muito que estaria fora da corrida. Não marcar há dois jogos é quase uma eternidade para o melhor marcador da Liga. Mesmo quando não deslumbra, Jonas é absolutamente determinante na manobra ofensiva da equipa de Rui Vitória: recua, vem buscar jogo, aparece nos espaços e está constantemente a farejar a baliza. Quase marcava aos 42’, num cabeceamento com selo de golo, salvo pela cabeça de Miguel Vieira. Não fez o empate dessa vez, acabaria por fazê-lo aos 72’, numa insistência após um primeiro remate de Jiménez. O empate, porém, não era suficiente para o campeão nacional e estava longe de satisfazer um predador como Jonas. Aos 88’, o goleador apareceu ao primeiro poste e marcou o golo que valeria o triunfo. 27.º golo na Liga. Jonas é como um piloto tarimbado, segura sempre o Ferrari, mesmo nos pisos mais escorregadios e nas curvas mais apertadas. O Benfica bem lhe pode agradecer por se manter na corrida pelo título. Não só por esta noite, evidentemente.

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O MOMENTO: Minuto 88. Jonas, pois claro

A perder desde os 9 minutos de jogo, o Benfica já desesperava quando Jonas empatou o jogo, aos 71’. O artista brasileiro ainda só havia feito metade do trabalho. O resto apareceria aos 88’, num lance que valeu o triunfo encarnado e provocou a euforia em mais de meia Mata Real. Seferovic cruza e Jonas aparece ao primeiro poste a desviar para golo. Bis e reviravolta no marcador. Assim se faz um candidato ao título.

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OUTROS DESTAQUES:

Rúben Micael

O madeirense é um velho conhecido dos encarnados, mas mesmo assim apresentou as suas credenciais esta noite na Mata Real. Rúben compensa alguma falta de velocidade com a experiência dos 31 anos, visão de jogo e critério de passe. Trouxe até magia, a espaços, como aos 35 minutos, quando rodopiou sobre a bola, qual Zidane de Câmara de Lobos. Que excelente reforço de inverno resgatou o Paços do futebol chinês. As pilhas duraram até aos 71’. Mal saiu, o Benfica marcou.

Miguel Vieira

É central, sim, mas mesmo sem utilizar as mãos fez duas defesas e ajudou o Paços a levar vantagem para o intervalo. Primeiro, faz um corte incrível, de cabeça, a um remate de Jonas, aos 42’; depois, na derradeira jogada da primeira parte, dá corpo ao manifesto e salva um remate forte de Pizzi. Foi decisivo nesses dois momentos, e até aos 20 minutos finais de jogo revelou uma serenidade notável, perante a pressão crescente do Benfica. Apesar da quebra final da equipa pacense, que sucumbiu ao ataque encarnado, Miguel Vieira merece destaque pela grande exibição que fez.

Luiz Phellype

Não é Whelton, que saiu em janeiro para o V. Guimarães, mas disfarça bem. O brasileiro esteve em destaque logo aos 9’, ao inaugurar o marcador num remate sem preparação. Fez uma excelente primeira parte, mas perdeu fôlego na segunda, até ser substituído por aos 74’ por Bruno Moreira.

Pedrinho e Xavier

Cada um pelo seu flanco, colocaram a cabeça em água aos laterais do Benfica. Xavier esteve no lance do golo pacense, logo aos 9’, ao assistir para Luiz Phellype e visou a baliza de Varela momentos depois, de livre. Pedrinho foi um dos melhores em campo, surgindo sempre com muito perigo pelas alas. Na segunda parte, ambos baixaram, no terreno e no rendimento.

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Jiménez

Entrou aos 59 minutos para o lugar de Zivkovic e a partir desse momento o Benfica encostou o Paços às cordas. Foi como um carro de assalto à baliza pacense. Nem sempre esclarecido, mas com muita vontade, ajudou a arrombar a caixa-forte, como se viu na intervenção que teve nos três golos.

Rúben Dias

Vinte anos e muito talento. Rúben Dias joga como um veterano, quase. Bem a desarmar, bem no posicionamento, o jovem central manteve a concentração no segundo tempo, quando o Paços já atacava só pela certa. Há quem o aponte à seleção A. E a verdade é que, atendendo às alternativas, perfila-se como uma opção credível para Fernando Santos para o Mundial 2018.

Rafa Silva

A lesão de Salvio abriu-lhe as portas da titularidade e Rafa Silva tem aproveitado a oportunidade. Introduziu velocidade pela ala direita, esteve sempre ligado à corrente. Aos 72’ saiu dos seus pés o cruzamento para o golo do empate, já nos descontos marcou o seu primeiro golo nesta época, sentenciando o resultado final em 3-1. Fez uma das suas melhores exibições com a camisola do Benfica.

Grimaldo

Destaque, sim, mas neste caso pela negativa. Xavier passou por ele como que de mota no lance do golo pacense. O lateral-esquerdo dos encarnados comprometeu aí e durante o jogo não esteve brilhante a atacar e teve trabalho de sobra a defender.

Sérgio Pires / Estádio Capital do Móvel, P. Ferreira