O FC Porto sobreviveu à Mata assombrada, onde não vencia desde 2014, e aproveitou a passadeira vermelha estendida pelo Benfica horas antes para dar, porventura, a estocada final na luta pelo título.

Com este triunfo por 1-0 ante o Paços de Ferreira, os dragões ficam com seis (virtualmente são sete) de vantagem para os encarnados a cinco jornadas do final da Liga. Só uma hecatombe desviará o título da rota do Dragão.

A partida esteve longe de ser bem jogada. Aliás, os castores foram os únicos que apresentaram alguns períodos interessantes, sobretudo nos primeiros vinte minutos do segundo tempo e ameaçaram o golo em duas ocasiões.

O FC Porto sofreu, é verdade, mas aguentou-se. O dragão teve espírito de campeão, foi aguerrido, agarrando-se à vantagem conseguida após uma entrada forte. Mbemba aproveitou um mau alívio de Ricardo Ribeiro na sequência dos cantos e inaugurou o marcador no primeiro remate à baliza.

Os esquemas táticos ou as bolas paradas, fica ao critério do leitor, voltaram a ser a melhor arma do Dragão. A partir daí, o Paços provou por que razão é a segunda equipa com mais pontos desde a retoma e incomodou o líder. Pedrinho ameaçou num livre direto e Hélder Ferreira obrigou Marchesín a defesa apertada.

O FC Porto usou em demasia as bolas longas para Soares. Assim que o brasileiro ganhava o duelo com Jorge Silva, os portistas atacavam a última linha dos castores. Foi assim que Soares por pouco não serviu para Corona para o 2-0.

A segunda parte foi de sofrimento para o conjunto de Conceição, especialmente nos primeiros vinte minutos. A dupla Pedrinho-Luiz Carlos elevou a qualidade de jogo pacense e por pouco, o brasileiro não cabeceou para o empate.

O FC Porto respirou de alívio e voltou a fazê-lo pouco depois quando Luiz Carlos rematou de forma acrobática e obrigou Marchesín a aplicar-se.

Ufffff!

Conceição introduziu Díaz, Loum, Vitinha e Fábio Vieira no jogo e a mensagem era clara: controlar o ímpeto pacense e procurar chegar à baliza contrária em transição. Foi assim, por exemplo, que Díaz desperdiçou o 0-2 na cara de Ricardo.

O Paços de Ferreira perdeu fulgor com o decorrer dos minutos, o que foi perfeitamente natural. Todavia, nunca desistiu de tentar chegar à igualdade, mas Marchesín não compactou com os planos dos homens de amarelo. O argentino fez a defesa que segurou o precioso triunfo a disparo de Jorge Silva.

Faltavam quatro minutos para o final.

Ainda houve tempo para Vítor Ferreira mostrar que é capaz de controlar o tempo e o espaço com uma qualidade invulgar comparado com muitos dos colegas. O campeão europeu de sub-19 conduziu e libertou para Marega na altura certa, mas o maliano acertou mal na bola e permitiu que Oleg evitasse o desvio certeiro de Fábio Vieira.

O FC Porto sofreu muito, mas acabou com a fantasma que o perseguia na Mata Real há seis anos e começou a caminhada na passadeira vermelha. O Paços de Ferreira perdeu, embora tenha merecido o empate. Pôde, por isso, deixar o relvado de peito feito e orgulhoso. 

Vítor Maia / Estádio Capital do Móvel, Paços de Ferreira