O Paços de Ferreira somou a primeira vitória na I Liga, ao bater o Santa Clara por 2-1, sem o treinador Pepa no banco, devido ao teste positivo à covid-19. Os açorianos desperdiçaram a hipótese de liderar à condição, saindo da Capital do Móvel com o primeiro desaire e os primeiros golos sofridos no campeonato.

Triunfo suado e sofrido dos castores, num jogo de grande equilíbrio em todos os capítulos e diferença mínima no marcador final. Oleg abriu o marcador na primeira parte e, após o intervalo, Thiago Santana fez um golaço de cabeça, mas o Paços fez apenas durar o 1-1 três minutos. Douglas Tanque assinou o 2-1 e garantiu que os três pontos ficassem em casa.

O jogo valeu sobretudo pela segunda parte, mais intensa e espetacular. A primeira teve um golo, mas pouco mais para contar, à exceção de três lances perigosos a abrir, dois deles a terminarem em fora-de-jogo.

Logo no segundo minuto, uma incursão de Jean Patric deixou Thiago Santana e Carlos Júnior perto do golo, mas foi assinalada posição irregular. A mesma seria aplicada a João Amaral, que marcou aos seis minutos, mas viu o festejo anulado: estava 52 centímetros para lá do último defesa. Depois, Fábio Cardoso obrigou Jordi à intervenção mais apertada até ao descanso.

Apesar do grande equilíbrio nos remates, cantos e posse de bola, o Paços foi conseguindo ligeiro ascendente pela meia-hora e foi premiado numa grande investida de Oleg de um lado ao outro do campo, aos 35 minutos. Bruno Costa ensaiou a jogada, Luther Singh cruzou e o lateral-esquerdo fez o primeiro golo do jogo e com a camisola do Paços, num remate indefensável para Marco, de baixo para cima. Foram precisos 305 minutos para os açorianos sofrerem um golo nesta Liga.

Daniel Ramos, por certo insatisfeito, trocou Jean Patric e Rafael Ramos por Lincoln e Sagna ao intervalo. Mas o Paços entrou mais perigoso: Luther Singh testou Marco (49m) e Sagna cortou no limite, evitando que o sul-africano se isolasse (53m). A incapacidade visitante em anular a desvantagem motivou nova dupla mudança (Costinha e Shahriar por Anderson Carvalho e Carlos Júnior) e a verdade é que o prémio pelo trabalho surgiria pouco depois.

Por quem mais? A pergunta já deixa adivinhar. Thiago Santana correspondeu com um cabeceamento soberbo ao cruzamento de Sagna e fez o 1-1 ao minuto 69. De nada valeu o voo de Jordi.

Mas o quarto golo em quatro jornadas do avançado brasileiro não valeu pontos ao Santa Clara, porque do outro lado havia um compatriota com faro de golo. Ao minuto 72, Douglas Tanque rematou rasteiro e colocado, a bola beijou o poste e entrou. Os insulares protestaram possível fora-de-jogo, mas Vítor Ferreira, com auxílio do VAR, confirmou o 2-1.

O Santa Clara mal saboreou o golo, mas melhorou até final da partida e colocou a vantagem pacense em xeque. Lá atrás, valeu Jordi aos da casa e a falta de pontaria de Salomão num lance de génio na área. Do outro lado, Hélder Ferreira podia ter fechado as contas, mas não acertou com a baliza. Os castores sofreram até ao fim, mas agarraram a primeira vitória e respiram melhor neste início de época.

Ricardo Jorge Castro / Estádio Capital do Móvel, Paços de Ferreira