65 anos depois, o Sp. Braga volta a ganhar no reduto do Benfica, para o campeonato. Um registo impressionante, por si só, mas ainda mais notável se pensarmos em pleno: em menos de um mês, Rúben Amorim conseguiu bater FC Porto, Sporting e Benfica. Notável!

A equipa de Bruno Lage fecha a semana com evidente intranquilidade, e agora à espera do desfecho do V. Guimarães-FC Porto na perspetiva de sobrar apenas um ponto de vantagem. Em campo o Benfica deixou-se apoderar pela insegurança, sobretudo quando ficou em desvantagem no marcador. Uma intranquilidade estranha para quem não tinha a liderança em risco, mas própria de uma equipa que está a sentir o conforto a fugir.

Tecnicamente talvez nem tenha estado ao nível dos artistas em palco, mas o duelo da Luz foi intenso, sobretudo do ponto de vista tático.

Desde logo pela forma como ambos os técnicos procuraram condicionar a primeira fase de construção do adversário. O Sp. Braga com Paulinho a vigiar Weigl e Horta e Galeno em posições interiores, a tentar cortar a ligação entre os centrais e os laterais do Benfica. O Benfica com Pizzi a juntar-se muitas vezes a Vinícius e Rafa numa primeira linha, mesmo que isso implicasse expor mais Tomás Tavares.

A primeira ocasião de jogo até resulta de um desarme de Rafa a David Carmo, logo a saída da área, mas depois o avançado do Benfica, na cara de Matheus, atirou ligeiramente ao lado.

Dentro das tais amarras táticas, e mesmo com posse de bola partilhada no primeiro tempo, o Benfica acabou por conseguir maior caudal ofensivo nesse período. E ainda que seja sempre subjetivo arriscar suposições do género, não é difícil pensar que “bastava” ter Vinícius ao nível habitual para que o Benfica não chegasse ao intervalo a perder.

É que (só) o brasileiro dispôs de três soberanas ocasiões de golo: começou por atirar à malha lateral num lance em que contornou Matheus mas ficou com ângulo apertado (10m), e depois não conseguiu aproveitar dois cruzamentos soberbos, de Grimaldo e Pizzi (38 e 43m).

O Sp. Braga demorou a aparecer no ataque, e chegou lá de bola parada, mas com perigo indiscutível. Ainda que o lance tenha sido anulado por fora de jogo, o cabeceamento de Palhinha ao poste, ao minuto 33, foi um aviso para o que sucederia à beira do descanso. Vlachodimos ainda negou um golo a Fransérgio com uma espantosa defesa, mas ao segundo canto seguido a formação «arsenalista» chegou mesmo à vantagem, precisamente por Palhinha (45+1m).

Vinícius entrou na segunda parte com pontaria a mais, dado o remate ao poste logo ao minuto 49, mas ao empenho com que procurou o empate, o Benfica nunca conseguiu aliar discernimento.

A prova disso é o lance em que Rafa aparece solto na área, pelo lado direito, e apenas com Matheus pela frente tenta servir Vinícius com um passe lateral.

As pernas tremeram em demasia, e mesmo quando Pizzi apareceu finalmente em jogo, com maior clarividência na definição, apareceu Matheus a negar-lhe o golo em duas ocasiões (68 e 75m).

Odysseas Vlachodimos também merece uma referência por aquilo que ia fazendo do outro lado. Com mais espaço para jogar, o Sp. Braga chegou várias vezes com perigo ao ataque, mas o guarda-redes grego parou remates de Fransérgio, Paulinho e, por fim, Ricardo Horta, naquela que terá sido a principal intervenção (77m).

O Benfica voltou a terminar um jogo com Vinícius, Seferovic e Dyego Sousa na frente, e ainda Chiquinho ao lado de Taarabt, mas ter muita gente na frente não foi, uma vez mais, sinónimo de atacar bem.

Nuno Travassos / Estádio da Luz, Lisboa