À terceira foi de vez! Após duas jornadas a adiar, o Portimonense não desperdiçou a oportunidade de sair da zona de despromoção e relegar para o incómodo lugar o V. Setúbal ou o Tondela. Independentemente do resultado dos beirões esta noite, ante o Gil Vicente, os algarvios não ficam abaixo da linha de água [ver aqui explicação].

A primeira parte foi de superioridade do Portimonense: construiu uma almofada de dois golos que permitiu gerir, apesar da boa reação do Boavista, que reduziu perto do final, quando jogava com menos um.

Conhecedores do desaire do V. Setúbal na véspera, os jogadores do Portimonense entraram determinados, não permitindo grandes veleidades ao Boavista. Jogando a toda a largura e utilizando os corredores, os algarvios assumiram o controlo. Lucas Fernandes gozou de espaço e, quando assim é, mexe com a organização ofensiva da equipa: Tabata e Aylton Boa Morte foram solicitados e responsáveis pelas aproximações perigosas à baliza de Helton Leite.

O guarda-redes brasileiro, nas cogitações do Benfica, foi obrigado a ser o melhor da sua equipa: aos cinco minutos teve grande intervenção num remate de Lucas Fernandes e, aos nove, evitou que Júnior Tavares festejasse, com grande defesa para canto. Entre os dois momentos, o Boavista teve o único remate à baliza de Gonda até ao intervalo, por Carraça, encaixado pelo asiático.

Após avisar, o Portimonense marcou e com recurso a uma arma que Paulo Sérgio tem conseguido potenciar: as bolas paradas. Na sequência de um canto de Tabata, Willyan saltou mais alto que Obiora para desviar de cabeça. Helton Leite ainda teve reflexos para tocar na bola, mas a velocidade e colocação do desvio foram letais.

Com segurança, o Portimonense ia trocando a bola, sem reação aparente dos boavisteiros. A espaços, incomodava Helton Leite, como aos 19 minutos, num lance idêntico ao que inaugurou o marcador: canto de Tabata na direita e desvio de Hackman. Desta vez, a bola passou perto do poste.

Antes do intervalo, o 2-0, num penálti após grande jogada de Aylton Boa Morte pela esquerda: o extremo rompeu entre dois adversários e atrasou para Tabata, que foi derrubado por Obiora ao preparar o remate. Dos onze metros, Lucas Possignolo atirou rasteiro e colocado junto à base do poste direito (42m). Helton Leite esticou-se, mas não evitou o golo. Tal como no 1-0, Obiora esteve novamente em novo golo sofrido, não admirando que não tivesse regressado para a segunda metade. Veio Cassiano - e também Bueno - e um Boavista mais solto e incómodo para a baliza do Portimonense.

Aos 59 minutos, Cassiano surgiu isolado após asneira defensiva alheia, mas Gonda correu para evitar o golo axadrezado. De seguida, novamente Helton Leite, numa tarde imensa: mais duas defesas enormes, evitando o 3-0. Primeiro, a Júnior Tavares. Depois, a Vaz Tê.

Já com o jogo dividido, o reforço ofensivo de Daniel Ramos com a entrada de Heriberto sofreu um revés com a expulsão de Yusupha (74m). Mas mesmo menos um e disposto em 4x4x1, o Boavista reduziu por Marlon, num livre direto exímio (86m). Faltavam cinco minutos para o final.

O Boavista apertou, mas o Portimonense defendeu a preciosa vantagem com unhas e dentes, garantindo uma vitória importante na luta pela manutenção.

Jorge Anjinho / Portimão Estádio, Portimão