Jorge Jesus, treinador do Benfica, analisa a derrota caseira com o Portimonense, na oitava jornada da Liga (0-1):

«Como todos os jogos, este também tem uma história. O Benfica, jogando com esta qualidade e com as várias situações de golo que não conseguiu traduzir no resultado… Ao fim de 14 jogos sofremos a primeira derrota, num jogo super jogado pelo Benfica, no qual criou N oportunidades, pelo menos para não perder. A história mais bonita do jogo foram os adeptos, pois perceberam que a equipa fez tudo para ganhar, voltou a jogar a um nível alto. Perceberam que o futebol tem destas histórias. Se fosse noutra modalidade, com aquilo que o Benfica jogou, ganhava. No futebol não é assim, basta fazer um remate e podes ganhar o jogo. O Portimonense não fez um remate, fez dois. Esta é a história do jogo. Temos de valorizar também o adversário, que defendeu bem. Faz parte do jogo e do futebol. Não há nada a dizer. O Benfica jogou ao nível que tem vindo a jogar. Se tivesse feito golos, se calhar o nível até tinha sido maior. Há que andar para a frente, isto faz parte da nossa vida. Sentimos a derrota, mas conscientes de que fizemos um jogo para sair com uma vitória. Parabéns ao Portimonense, pois saiu daqui com uma vitória. Não dou os parabéns ao Benfica porque não ganhámos, mas disse o que disse aos jogadores, que têm de estar de cabeça levantada, pois jogaram a uma intensidade muito alta. O futebol tem destas situações, são coisas incontroláveis.»

[foi um erro não ter mudado a equipa, tendo em conta o desgaste do jogo de quarta-feira?] «As perguntas devem ter um objetivo. Tem de aparecer qualquer coisa para fazer uma pergunta. Você viu algum jogador com desgaste? Podia dizer-me que o jogador X não esteve ao nível a que costuma estar, por causa do jogo de quarta-feira. Mas não se notou. E hoje em dia tenho a vantagem de fazer cinco alterações.»

[sobre as dificuldades que tinha antecipado no lançamento do jogo] «Sabia que ia ser difícil. Senti que ia ser difícil. Pelos dados do nosso adversário. Continua a ser das defesas menos batidas da Liga. Sentia que íamos ter imensos problemas. Se me dissessem que o Benfica teve alguma dificuldade em criar jogo entre linhas, em largura, eu podia dizer que era verdade. Nos primeiros 15/20 minutos, isso existiu. Mas também mudámos a dada altura, e ao intervalo também mudámos alguma coisa. Não podemos apontar nada… Claro que não fizemos golos, mas não há um motivo para dizer assim: “a minha equipa notou-se que estava carregada do jogo de quarta-feira, não jogou com qualidade, não criou oportunidades”. O que tenho de lamentar é que há coisas que não controlas, a parte da sorte do jogo, e com tantas oportunidades podíamos ser mais eficazes. Isso sim.»

[Olhando agora, depois do jogo, que é sempre mais fácil, sente que podia ter prescindido dos três centrais mais cedo?] «Podia. É um pormenor tático. Falta saber se isso acrescentava ofensivamente mais alguma coisa. Mas também vou dizer-lhe que o Benfica não modificou a defesa a três. O Benfica ficou igual. Sai o Lucas mas o André fez essa posição. Mascarámos um bocadinho esse posicionamento a três.»

[Por volta do minuto 20 pediu ao Rafa para jogar mais aberto na direita, mas o Pedro Sá continuou a acompanhá-lo. Nesse sentido, faltou ao Benfica um outro Rafa, por assim dizer, a jogar entre linhas?] «Modificámos o posicionamento do Rafa, que estava a ser anulado pelo Sá. Colocámos o Rafa fora, para não jogar tantas vezes de costas. E depois faltou-nos ali um jogador para fazer aquilo. Quem podia fazer? O João Mário. Nos primeiros 45 minutos não conseguiu fazer. Na segunda parte já conseguiu carregar mais a equipa.»

Nuno Travassos / Estádio da Luz, em Lisboa