Paulo Sérgio, treinador do Portimonense, analisa a vitória no reduto do Benfica (0-1), inédita na história do duelo entre os dois emblemas:

 [sobre a festa no balneário] «A festa no balneário é demonstrativa da grandeza do adversário. Não é que não se festejem outras vitórias, que elas custam muito, mas é natural e merecido que os jogadores festejem. Neste caso o extra é ser o Benfica, uma grande equipa e um grande treinador. Você vê o Benfica perder em casa todas as semanas? O motivo da festa está justificado, mas só vale três pontos.»

«Foi muito difícil conquistar estes três pontos. Ouvi a flash do Jorge e concordo. Teve muita qualidade até entrar nos nossos últimos metros. Mesmo aí há quatro ou cinco momentos fabulosos do Samuel, mas ele é jogador do Portimonense e está lá para isso. Mas não se ganha na Luz, principalmente no momento eufórico que o Benfica vivia, depois do resultado contra o Barcelona, que muito dignifica o nosso futebol, sem essa pontinha de sorte. A sorte dá muito trabalho. O Samuel trabalha todos os dias para fazer as defesas que fez, assim como o resto do grupo. A nossa organização defensiva foi muito boa. Tentámos pressionar o mais alto possível. Em muitos momentos conseguimos complicar a tarefa do Benfica. Noutros momentos tivemos de adotar uma estratégia mais baixa. Fomos ajustando aos momentos do jogo. Na primeira parte tivemos alguns momentos com qualidade. Na segunda parte já não conseguimos com tanta qualidade. É uma vitória de esforço, os jogadores merecem por inteiro a vitória e merecem este momento. Se me perguntam se o Benfica merecia perder, diria que não, tenho de ser honesto, mas a vitória fica muito bem aos meus jogadores, pelo que fizeram.»

[sobre a organização defensiva] «O Benfica vai variando o seu jogo. Ainda na primeira parte o Jorge meteu o Rafa aberto, porque não estava a conseguir jogar por dentro. Fomos adaptando. Estávamos preparados para uma coisa e preparados para outra. O Pedro Sá fez um jogo impressionante do ponto de vista tático. Complementou muito bem as costas do Fali, para ele continuar a pressionar alto. E os dois jogadores da frente também tiveram um trabalho de desgaste grande, para pressionarmos o mais alto possível. Fizemos um bom jogo de coberturas para limitar as potencialidades do Benfica.»

[sobre a relevância da vitória inédita na Luz] «As vitórias só contam três pontos, mas já disse que não se vence na Luz todos os dias. Não sei quantas vezes cá vim jogar, e é a segunda vez que venço. Não acontece todos os fins de semana. Claro que nos enche o ego, que nos deixa felizes, mas amanhã já passou. São três pontos, e amanhã voltamos ao trabalho com os pés no chão. Disse aos jogadores que tínhamos de correr mais do que o Benfica e lutar por cada lance, pois os valores não são os mesmos. As armas não são iguais. Tudo isso dá um sabor diferente à vitória, pelo valor do adversário.»

[sobre o que o Jorge Jesus disse antes do jogo, que o Portimonense iria defender melhor do que o Barcelona] «Percebi o que o Jorge queria dizer. O Barcelona chega aqui e, provavelmente, tem uma abordagem ao jogo que nós não temos. Joga pela Champions, joga pelo título espanhol. são coisas diferentes. O que ele queria dizer é que eu ia coloca-lhe problemas defensivos que ia ser difícil resolver, e isso ficou à vista.»

Nuno Travassos