Os sócios do Benfica compareceram em força no Seixal para a aproveitar a primeira oportunidade para ver a versão 2019-2020 da equipa que Bruno Lage está a montar para atacar o bicampeonato.

Com os internacionais ainda a trabalhar à parte, um dia depois de se terem apresentado – só falta mesmo Zivkovic -, os olhos dos milhares de adeptos que marcaram presença nas bancadas do relvado principal do centro de treinos das águias centraram-se sobretudo num reforço: Raúl de Tomás.

Leia também: Intensidade de Taarabt em destaque no primeiro esboço de Lage

E isso ficou bem claro logo no primeiro exercício, realizado no meio campo, em que os jogadores surgiram divididos em duas equipas – mais os jokers Florentino e David Tavares, que jogavam em ambas as equipas.

O objetivo mais facilmente detetável do exercício realizado num espaço de terreno curto, era o trabalho de pressão, com a equipa adversária a tentar sair a jogar a um ou dois toques.

E pode dizer-se que o ponto alto desse exercício para os adeptos, foi um detalhe de Raúl de Tomás, ao tirar dois adversários do caminho antes de soltar a bola, recebendo muitos aplausos daqueles que estavam desejosos de conhecer o reforço contratado ao Real Madrid por 20 milhões de euros.

Raúl de Tomás? Fala espanhol, mas chama-se Cádiz e traz golo

Porém, se a expectativa era elevada em relação ao avançado espanhol, pouco mais foi possível avaliar na peladinha que se seguiu e na qual de Tomás esteve discreto.

O primeiro lance de perigo ainda surgiu nos pés do espanhol, num contra-ataque conduzido pela direita ao qual Chiquinho não deu o melhor seguimento, mas depois foi outro reforço a brilhar: Jhonder Cádiz.

Isso mesmo, o avançado venezuelano contratado ao V. Setúbal foi a cara nova que mais se destacou. Foi o jogador de 23 anos foi o autor do primeiro golo visto pelos sócios esta época, com uma excelente finalização de pé esquerdo, já dentro da área, após assistência de Nuno Tavares.

Pouco depois, foi novamente dos pés do ex-sadino que surgiu o segundo golo. Cádiz recebeu de costas para a baliza fora da área, segurou o adversário e soltou no momento certo para a entrada de Cervi, que picou a bola sobre Zlobin.

Enquanto isso, de Tomás mostrava-se sobretudo na pressão sem bola, ainda que algo desligada da dos restantes companheiros.

Até que na última das três partes de cerca de 15 minutos, Cádiz e Raúl de Tomás trocaram de equipas, com o espanhol a passar para a que estava em vantagem e Cádiz para a que perdia por 2-0. Pouco depois da troca… apareceu o 2-1. É verdade que o mérito foi todo de Jota, que marcou após trabalho individual, mas o que é certo é que Cádiz levou o golo com ele na mudança de equipa.

Raúl de Tomás também esteve mais ativo nessa terceira parte, ficando a poucos centímetros de ultrapassar Zlobin para ficar isolado e surgindo solto no coração da área para um cabeceamento torto.

Experiências distintas, portanto, aquelas que foram vividas pelos dois avançados. Cádiz, refira-se de resto, conquistou os adeptos com a entrega e foram sendo audíveis várias vezes palavras de incentivo, mesmo quando o venezuelano falhava.

Quanto aos dois outros reforços, Chiquinho e Caio Lucas, o médio português mostrou bons pormenores, sem se destacar sobremaneira, mas também sem complicar, enquanto o extremo brasileiro deixou claro que gosta de apostar no 1x1, mas raramente conseguiu ganhar vantagem.

Adérito Esteves / Centro de Treinos do Benfica, Seixal