Esta história do confinamento na Páscoa tem muito que se lhe diga.

E longe de virmos para aqui com teorias negacionistas ou com ponta de conspiração.

Só achamos que não faz sentido para todos os setores. Isso não faz.

Por exemplo: alguém obrigou o Belenenses a ficar confinado ao seu meio-campo defensivo durante quase 45 minutos do jogo frente ao Boavista?

Ao lermos as normas, diríamos que não. Mas foi isso que aconteceu. E apesar de ter pela frente um adversário que também não arriscou nas saídas por aí além, parece ter sido o Boavista quem percebeu melhor isto das limitações pascais.

E pior devem ter ficado os jogadores de Petit quando, depois de se manterem bem confinados durante 43 minutos, terem sido castigados logo à primeira saída. Também não é justo.

Mas como se costuma dizer, a justiça é cega. E a verdade é que o golo de Angel Gomes foi o milagre que devolveu à vida uma primeira parte de futebol moribundo.

Já o segundo tempo foi mais animado. Nas asas de Angel, perdão, nas arrancadas de Angel, o Boavista continuou mais lançado para a frente. E voltou a ser premiado aos 59m.

Após cruzamento de Hamache, Elis marcou o golo que aponta à salvação o Boavista.

Ainda que Angel se tivesse feito diabo em cinco minutos, ao ver dois cartões amarelos num abrir e fechar de olhos.

A expulsão, porém, não mudou o destino dos axadrezados. Porque mesmo em vantagem numérica, o Belenenses continuou pouco audaz. Ou pouco capaz de ameaçar o adversário.

E perante este cenário, o Boavista renasce para a ponta final, com três importantes pontos que o podem tirar da zona de aflição.

Já o Belenenses, apesar de se manter dois pontos à frente dos boavisteiros, mostra que ainda tem muito que caminhar nesta via sacra da busca pela permanência, quando até tinham uma boa oportunidade para dar um passo seguro.

Se ao menos tivessem percebido bem a história do confinamento...

Certo também é que o fundo da tabela mantém-se uma confusão que ainda deixa muito por escrever.

Adérito Esteves / Estádio do Jamor