Saber sofrer e esperar pelo momento certo. Eis como se resume a vitória alcançada pelo Marítimo na receção ao Benfica.

Os encarnados dominaram em todos os capítulos, chegando a massacrar os verde-rubros, que cederam a iniciativa durante quase todo o encontro.

Mas a equipa de José Gomes preparou uma armadilha que foi interpretada na perfeição por Nanu. Amir fechou a porta ao tudo ou nada de Bruno Lage, que acabou por expor a equipa à velocidade do guineense. Mas vamos ao jogo.

Para o duelo no Caldeirão, Bruno Lage efetuou cinco alterações no onze inicial que levou a jogo na última ronda (derrota em casa por 4-3 ante o Santa Clara).

Jardel, Samaris, Chiquinho, Cervi e Vinícius entraram no onze, do qual saíram, além dos castigados Rúben Dias e Gabriel, o lesionado Taarabt e, por opção técnica, Rafa e Dyego Sousa.

Do lado dos madeirenses, José Gomes deixou de fora dos convocados Bebeto, ao que tudo indica por opção, e Bambock, castigado, sentando no banco Joel e Xadas, para entradas de China, Kerkez, Pelágio e Edgar Costa.

O Benfica entrou com tudo e disposto a marcar cedo, criando boas ocasiões em pouco mais de oito minutos de jogo, com Chiquinho a assinar duas, que mereceram boas intervenções de Amir, que ainda viu um livre perigoso cobrado por André Almeida em cima da meia lua, passar muito perto do travessão da sua baliza. O guardião iraniano opôs-se depois a um remate de Cervi, de ângulo apertado.

Com o Marítimo em bloco baixo, os encarnados procuravam jogar com intensidade, variando de flancos com grande insistência, forçando erros nas marcações à zona dos insulares.

Foi numa desatenção de René que surgiram depois mais duas boas ocasiões para as águias. Aos 18m, Vinícius, lançado por André Almeida, viu Amir assinar nova grande intervenção. A bola sobrou para Pizzi, mas o remate do criativo do Benfica também não conseguiu passar pelo iraniano.

Os insulares resistiam como podiam, mas sem deixar de tentar a sua sorte. Nanu, pouco antes da meia hora, aproveitou uma certa apatia dos lisboetas e meteu o turbo, passado por vários jogadores, e correu na direção da área encarnada, pelo corredor central, soltando depois para Rodrigo Pinho, que atirou para o fundo das redes de Vlachodimos. Mas o avançado brasileiro estava bastante adiantado em relação à defesa encarnada, e o lance foi anulado.

Apesar de inconsequente, o lance trouxe confiança aos verde-rubros, que além de se mostrarem mais eficazes na hora de anular a dinâmica do Benfica, contaram ainda com uma certa perda de intensidade por parte do jogo da equipa de Bruno Lage.

Com a humidade que se sentia no final de tarde funchalense, era difícil manter um ritmo elevado como aquele que marcou a primeira meia hora de jogo.

O conjunto de José Gomes mostrava incapacidade para atacar a profundidade, mas do meio campo para trás, e sobretudo no seu último reduto, revelava-se intransponível, ante um Benfica que ficou sem ideias e foi quase sempre previsível, com bolas longas e cruzamentos desde as alas que invariavelmente foram sendo resolvidos sem grande dificuldade pelos centrais da casa ou por Amir.

Bruno Lage foi para as cabines com cara de poucos amigos, mas regressou para o segundo tempo sem alterações. O mesmo aconteceu no Marítimo. Mas ambos os técnicos, pouco depois do reatamento, colocaram jogadores em aquecimento.

Como era de esperar, os encarnados reentraram pressionantes e intensos, ganhando vários cantos. Mas o filme do último quarto de hora da primeira parte mantinha-se em cartaz. O Benfica detinha a posse de bola em posição ofensiva, mas sem conseguir criar perigo efetivo para Amir.

O técnico dos lisboetas não esperou mais tempo, e ainda dos 60 minutos, fez sair Vinícius e Samaris para lançar Rafa e Seferovic. 

Aos 66m, um cruzamento bem desenhado por André Almeida foi ter com Seferovic, mas o suíço, ao mergulhar para cabecear, só conseguiu acertar de raspão na bola. O jogo continuava bloqueado, com o Marítimo tranquilo a defender com segurança.

A impaciência de Bruno Lage, mais uma vez, veio ao de cima, fazendo nova alteração dupla: Pizzi, em dia claramente não, cedeu o lugar a Zivkovic, e Cervi foi sacrificado para a entrada de mais um ponta de lança, Dyego Sousa.

O tudo ou nada do técnico encarnado expôs a equipa ao contra-ataque insular, e especialmente a um incrível Nanu. Com mais espaço para sair em velocidade, o internacional guineense resolveu o jogo em pouco mais de cinco minutos com arrancadas de antologia pintadas com dribles à altura.

Aos 74m, deixou toda a gente para trás e depois de entrar na grande área, entregou de bandeja para Correa fazer o 1-0. Quatro minutos depois chegou o 2-0, com Nanu a servir Rodrigo Pinho.

O Benfica ainda carregou para reduzir o marcador, mas sem discernimento e ante uma defesa que raramente vacilou, o melhor que conseguiu fazer foi construir um lance em que Dyego Sousa só não marcou, de cabeça, porque Amir fez a terceira grande defesa da tarde.

Antes, Joel Tagueu ainda marcou o 3-0, mas o lance estava ferido de fora de jogo. Teria sido uma estocada ainda mais dolorosa para o Benfica...

 
Raul Caires / Estádio do Marítimo