Bem vistas as coisas, o empate não serve a ninguém: só serve para deixar os dois rivais a quatro pontos do líder Benfica ao fim de cinco jornadas e isso não, definitivamente, bom.

Mas convém olhar para este clássico com mais cuidado e, ao pormenor, dá para perceber que tanto Sporting como FC Porto têm uma ou outra razão para sorrir no fim do jogo.

O FC Porto, antes de mais, porque sobreviveu a um jogo em que foi claramente inferior: um jogo em que só o talento individual de Luís Diaz evitou que terminasse com outro tipo de resultado.

Tirando esse momento de suprema inspiração do colombiano, o que sobrou de verdadeiramente importante? Um cabeceamento de Corona ao lado, numa grande oportunidade, é verdade, e nada mais. É muito pouco para um FC Porto que é capaz de ganhar em qualquer campo.

O FC Porto, portanto, pode louvar o facto de ter empatado um jogo que o adversário foi melhor. Já o Sporting pode sorrir perante a evidência de, passo a passo, jogo a jogo, ser cada vez mais equipa.

Não é fácil recordar um clássico em que tenha encostado o FC Porto tanto às cordas.

É verdade que marcou no primeiro remate que fez à baliza, no fim de uma excelente jogada coletiva muito bem construída por Matheus Nunes, Porro e Nuno Santos, mas a partir daí teve longos minutos em que só deu Sporting. Nuno Santos falhou duas vezes isolado na cara de Diogo Costa, Palhinha cabeceou ligeiramente por cima da barra, Porro atirou às malhas laterais e Paulinho obrigou novamente o guarda-redes do FC Porto a uma excelente defesa para canto.

No fundo, e mesmo que o FC Porto tenha, sobretudo na segunda parte, dividido a posse de bola e o controlo do jogo, foi sempre o Sporting que esteve mais perto de marcar.

Para isso a formação leonina explorou muito bem uma demasiado estranha liberdade que o FC Porto concedia aos laterais. Luis Díaz e Otávio não acompanhavam Pedro Porro e Vinagre, que surgiam muitas vezes com demasiado espaço para receber a bola e coloca-la na área.

Foi por aí que o Sporting fez o primeiro golo e foi por aí que criou mais uma série de jogadas que levaram o perigo à área portista. Só na segunda parte, aliás, o FC Porto resolveu esse problema.

A ficha de jogo e as notas dos jogadores

Sérgio Conceição, por outro lado, surpreendeu no onze inicial, ao apostar nos três jogadores que tinham chegado esta sexta-feira à noite após longas viagens: Corona, Luis Díaz e Uribe viajaram, dormiram e foram titulares, num sinal do treinador de que não podia abdicar do talento deles.

O FC Porto até começou bem, porque lá está, é uma equipa cheia de talento, mas com o tempo foi-se perdendo em campo e o treinador não esperou pelo intervalo: ainda na primeira parte tirou Bruno Costa e Marcano, para lançar Sérgio Oliveira e Manafá. Experiência e velocidade que vieram fazer bem à equipa: o FC Porto melhorou muito, sobretudo defensivamente, depois disso.

Já Ruben Amorim, por outro lado, não mexeu bem no onze. Não era fácil, face à ausência de soluções, mas a entrada de Matheus Reis foi um fiasco, Ricardo Esgaio não acrescentou muito e Pablo Sarabia acusou demasiado o nervosismo da estreia: queria fazer tudo bem e nada lhe saía.

Por isso o Sporting demorou a levantar-se do golpe que foi o golo de Luis Díaz, sendo que quando o fez já era tarde: o FC Porto fechou-se na defesa e, após a expulsão de Toni Martínez por dois amarelos em dois minutos, foi deixando passar o tempo à espera do apito final.

Por falar nisso, o árbitro Nuno Almeida acabou por ser o pior em campo. Apitou por tudo e por nada, mostrou demasiado amarelos e tornou o jogo demasiado nervoso. 40 faltas, 12 amarelos, 1 vermelho, demasiado, demasiado, demasiado.

O jogo não foi brilhante, mas era difícil perante estes factos fazer melhor. Não serviu nenhum dos dois rivais, mas também não foi só más notícias: se procurarem bem, há uma ou outra razão para sorrir.