Marítimo e Arouca empataram esta segunda-feira a duas bolas, em jogo da 5.ª jornada da Liga disputado no Estádio da Madeira, que o Nacional emprestou aos arquirrivais devido à interdição do relvado dos Barreiros.

Os insulares, que começaram o jogo a perder, operaram a reviravolta ainda antes do intervalo. Mas na segunda parte acabaram por ser surpreendidos por um conjunto que nunca deixou de acreditar num resultado positivo.

Para esta partida, Julio Velázquez operou apenas uma alteração no onze inicial apresentado no último duelo (derrota por 2-1 em casa do Estoril), ao promover a estreia do avançado Ricardinho, opção que implicou a mudança do sistema tático: o 3x5x2 foi preterido em prol do 4x3x3, com o eixo da defesa a ser entregue à dupla formada por Zainadine e Léo Andrade, com o central Jorge Sáenz a ser remetido para o banco de suplentes.

Quanto ao Arouca, o técnico Armando Evangelista operou duas alterações face à equipa inicial que entrou contra o FC Porto (derrota por 3-0), dando a titularidade a Abdoulaye e Tiago Araújo por troca com Arsénio Nunes e Sema Velázquez.

Não foi preciso esperar muito tempo para o ver o marcador mexer na Choupana. Ainda as equipas procuravam assentar o seu jogo quando Bukia, bem servido por André Silva, abriu o ativo aos 8 minutos, perante a passividade da defesa verde-rubra em emendar um erro de Léo Andrade.

O início de jogo desastroso dos verde-rubros manteve-se e três minutos depois uma escorregadela de Winck em zona proibida deixou o Arouca muito perto do 2-0, valendo à equipa da casa a autoridade de Zainadine, que intercetou o remate de Eugeni desferido em plena grande área.

Perante um conjunto arouquense muito personalizado e eficaz na pressão alta, a reação madeirense, algo tímida, só chegou à baliza adversária aos 23m, com André Vidigal a rematar à figura de Fernando Castro após um bom movimento na zona central da grande área arouquense.

O lance trouxe confiança à equipa de Velázquez, que começou a aventurar-se com mais critério no último reduto dos visitantes. O ascendente insular acabou por ser premiado aos 35m, numa bela jogada. Xadas colocou em Alipour, que amorteceu de peito para Vidigal, com este a devolver para o iraniano, que rematou para defesa apertada de Fernando Castro, mas a bola sobrou para Ricardinho, que solto de marcação, só teve de encostar para restabelecer a igualdade.

Galvanizados com o golo, os verde-rubros carregaram em busca do 2-1, que esteve para chegar aos 43m, não fosse uma grande intervenção do guardião arouquense a um remate de André Vidigal, que beneficiou de um erro de Abdoulaye.

Mas estava destinado que o Marítimo ia mesmo para o descanso na frente do marcador, num lance muito pouco comum. Aos 45+7 (árbitro deu cinco de descontos), na sequência de um canto, Winck chegou a marcar, mas foram detetadas duas mãos no lance. Depois de consultar o VAR, Manuel Oliveira constatou que a primeira foi de um jogador do Arouca: João Basso. E de um golo potencialmente anulado passou para um penálti favorável ao Marítimo, que Alipour acabou por converter com classe.

Os insulares foram para o intervalo em cima do jogo, mas voltaram das cabines em baixo. A equipa de Armando Evangelista regressou com a atitude exibida na fase inicial do encontro. Pressionante, o Arouca conseguiu causar vários calafrios na grande área insular, com destaque para um remate de Eugeni Valderrama, aos 49m, que passou muito perto da trave da baliza de Paulo Victor.

A boa reentrada dos arouquenses foi perdendo fulgor e aos 68m Alipour, bem servido pelo recém-entrado Pedro Pelágio, quase sentenciou a partida, mas o cabeceamento saiu ao lado. O Marítimo criou depois vários lances de perigo, mas faltou critério na hora de decidir o último passe.

Os sustos não amedrontaram os nortenhos e aos 78m Oday Dabagh, após ganhar o esférico em velocidade, atirou às malhas laterais da baliza de Paulo Victor. O Arouca já não subia tanto há muito tempo, mas quando voltou a aproximar-se acabou por chegar ao empate.

Aos 83m, na cobrança de um livre à entrada da grande área, André Silva bateu muito bem na bola e esta passou por cima da barreira para entrar perto do poste esquerdo da baliza de Paulo Victor, que nem se mexeu…

A igualdade trouxe mais emoção para os minutos finais. Cinco minutos depois, Alipour obrigou Fernando Castro a aplicar-se, mas depois só deu Arouca, que a partir dos 88m passou a jogar em superioridade numérica, na sequência da expulsão de André Vidigal, por acumulação de amarelos.

O jogo passou a ser disputado entre o último reduto e o meio-campo defensivo dos verde-rubros, mas o Arouca não foi capaz de desmontar o bloco defensivo insular, que deu tudo para defender um pontinho.

Raul Caires