FIGURA: Alberth Elis
Impressionante. Os primeiros 45 minutos do avançado hondurenho são uma lição de potência, agressividade e competitividade. Marcou um golo, esteve perto de bisar e foi um problema sem solução para os centrais do FC Porto. A segunda parte foi menos exuberante, porque os campeões nacionais lançaram-se sobre a baliza axadrezada, mas o que fez até ao descanso foi suficiente para estar aqui.

MOMENTO: golo anulado a Evanilson (minuto 90)
É o futebol moderno. O VAR encontra uma mão de Evanilson e informa o árbitro. Golo anulado, nada a dizer. Mas a crueldade é insuportável. Porquê? Porque a celebração, as lágrimas de Sérgio Conceição abraçado ao filho que se estreara poucos minutos antes na equipa principal – e que participara nessa jogada -, a boa loucura de quem dá a volta a um 0-2 deixa, subitamente, de existir. É cruel, mas não é incorreto. A mão de Evanilson (subtil e, aparentemente, inofensiva) existiu mesmo.

NEGATIVO: 45 minutos horríveis do campeão nacional
A Crónica do Jogo fala detalhadamente sobre isso. Nem alma, nem inspiração, nem futebol. O FC Porto foi horrível até ao tempo de descanso e já não conseguiu ter tempo suficiente para corrigir esse erro. Mérito também para um verdadeiro Boavistão.

OUTROS DESTAQUES

Nuno Santos
Grande exibição do médio do Boavista. Decidiu muito e bem no primeiro tempo, sempre com grande qualidade e discernimento, e aproveitando a má pressão feita pela equipa do FC Porto. Está a crescer no Bessa e a mostrar que pode ser um nome interessante no nosso futebol.

Jackson Porozo
Tinha dois jogos e 145 minutos no campeonato até entrar neste dérbi. Numa das primeiras ações foi à área do FC Porto, superou Diogo Leite e inaugurou o marcador. Um momento que o jovem equatoriano ex-Santos jamais esquecerá.

Adil Rami
Exibição autoritária e sólida do campeão do mundo de 2018. Mas há más notícias: voltou a sair lesionado, aparentemente com mais um problema muscular. A confirmar-se, será a terceira lesão do género para o central francês que tanta falta faz a esta defesa do Boavista.

Francisco Conceição
Estreia absoluta na equipa A do FC Porto, 13 minutos para nunca esquecer. 18 anos e tanto talento, um pé esquerdo nascido para quebrar barreiras e rins aos defesas. Pela direita, Francisco participou em vários lances e esteve no golo que foi anulado pelo VAR. Correu para os braços do pai e recebeu um beijo antes de o FC Porto ser confrontado com a realidade.

Mehdi Taremi
Desaparecido no primeiro tempo, importante no segundo. Já tem 14 golos esta época e é, cada vez mais, a grande referência no ataque do FC Porto, aproveitando também a fase negativa de Moussa Marega.

Marchesín
Sofreu dois golos sem qualquer responsabilidade e parou ainda mais dois ao Boavista. Só pode receber uma nota alta.

Sérgio Oliveira
Desastrado no primeiro tempo, contagiado pela apatia da equipa. Melhor no segundo, competente a bater o primeiro penálti e... azarado ao mandar o segundo ao poste. Naquele momento não podia ter falhado.  

Pedro Jorge da Cunha / no Estádio do Dragão, Porto