Houvesse público no Dragão e hoje seria um daqueles jogos de final épico, com gente aos pulos nas bancadas e gritos de vitória.

Este é um daqueles jogos cuja história começa pelo fim e por um herói improvável saído do fundo do banco para roubar a cena e resgatar os seus para local seguro.

Ramos (Daniel, entenda-se) quase estragou a Páscoa ao Dragão, mas Toni Martínez apareceu para salvar a Semana Santa, antes do grande duelo de Sevilha da próxima quarta-feira.

Foi preciso paciência, santa paciência para o FC Porto encontrar um caminho para o fundo das redes diante de um Santa Clara muito organizado, que dividiu o jogo durante uma hora.

Para início de conversa, Sérgio Conceição poupou Mbemba, Zaidu e Corona, desgastados das seleções, enquanto Daniel Ramos não pôde contar com Fábio Cardoso e Allano (castigados) e durante a semana perdeu Fábio Oliveira e Anderson Carvalho, por lesão.

Desde o apito inicial, o Santa Clara mostrou ao que vinha: pressão alta na saída de bola do FC Porto, muitas vezes em cima de Marchesín, o que dificultava a organização ofensiva dos dragões.

Só quando saía dessa primeira linha de pressão é que a equipa de Conceição conseguia criar algum perigo. Não muito, ainda assim.

Aliás, os açorianos estiveram mais perto do golo na primeira parte. Tão perto que até introduziram a bola na baliza num lance bem anulado a Carlos Jr., que quando desvia na pequena área está 28 centímetros adiantado.

Do lado do Santa Clara, Lincoln servia com perigo os companheiros – como Nené, que aos 26m surgiu ao segundo poste para uma grande oportunidade salva por Marche –, pelo FC Porto era Sérgio Oliveira quem pegava na batuta e tentava trazer algum cérebro a uma equipa demasiado nervosa na primeira parte.

Chegados ao intervalo, o Santa Clara tinha os únicos dois cantos da partida e igualava em número de remates (2-2), apesar de uma ligeira desvantagem na posse de bola (44%-56%).

O FC Porto parecia ter encontrado a chave para começar a resolver o jogo logo no início da segunda parte, quando Otávio isolou Taremi e este foi derrubado pelo guarda-redes Marco.

Sérgio Oliveira converteu e o campeão nacional só não suspirou de alívio porque dois jogadores experientes como Pepe e Marchesín haveriam de cometer um erro infantil, obrigando Diogo Leite a derrubar na área Lincoln.

Carlos Jr. converteu o penálti e restabeleceu o empate ao fim de sete minutos.

A meia-hora do fim, o despertador tocou no Dragão. Na hora em que Taremi falhou de forma inacreditável, prolongando o desacerto dos últimos jogos.

Conceição lançou Corona e Fábio Vieira, primeiro, e depois foi acrescentando Francisco Conceição, até arriscar tudo com Evanilson e Toni Martínez nos minutos finais. E o FC Porto passou a jogar no meio-campo adversário em 30 metros.

Encontrou pela frente uma equipa muito bem arrumada por Daniel Ramos, que manteve o quarteto defensivo e foi refrescando lá na frente.

E o Santa Clara era desmontado com um passe nas costas da defesa, Taremi continuava o desacerto (juntamente com Diogo Leite, aos 83m). Fábio Vieira, Corona e Francisco Conceição tentaram descobrir um buraco, mas não havia como derrubar a resistência açoriana.

Até que... apareceu Toni Martínez para salvar a Páscoa e adoçar as amêndoas que amargavam no Dragão

O FC Porto vence, encurta provisoriamente a distância para o líder Sporting e segura o segundo lugar (a seis pontos do Benfica, que tem menos um jogo).

No mesmo dia em que o Chelsea foi goleado em casa pelo WBA (2-5), para a Premier League, os dragões ganham na raça um jogo difícil. Melhor «boost» emocional é impossível antes do duelo da Liga dos Campeões. 

Agora, rumo a Sevilha.

Sérgio Pires / Estádio do Dragão, Porto