Um canto direto em cima do minuto 90 valeu ao Rio Ave um triunfo, por 2-1, que permite subir à condição ao 5.º lugar, que dá acesso à Liga Europa. O Portimonense até entrou a vencer, mas permitiu a reviravolta e acabou por não sair da zona de despromoção, continuando a três pontos de V. Setúbal e Tondela (que tem menos um jogo), a três jornadas do fim.

O segredo deste jogo é só um: o vento. Ou melhor, saber jogar a favor dele.

O Portimonense entrou em campo com um maleável 3-4-3, que se transformava num 5-4-1 a espaços, e entrou na partida quase a ganhar: canto de Tabata na direita e Vaz Tê a desviar de cabeça para o golo. Estava dado o mote para uma primeira parte de bom nível dos algarvios, que até tiveram menos posse de bola, mas dominaram nos remates (9-2) e em cantos (7-0).

O tridente da frente, composto por Vaz Tê ao meio, Tabata à direita e Lucas Fernandes descaído sobre a esquerda funcionava e criava perigo em combinações ou de bola parada. Mesmo já depois da lesão de Jadson, influente no meio-campo, logo aos 20 minutos.

O Rio Ave sustinha o ímpeto visitante e retaliava a espaços. Contra o vento, claro está. Gelson Dala punha velocidade sobre a direita, mas revelava-se perdulário a finalizar. Até que aos 27m introduziu a bola na baliza. Lance anulado. Mas… aviso do vídeo-árbitro. Um minuto, dois, três… Oito! Ao fim de oito minutos e depois de rever as imagens Rui Costa descobriu a mão na bola de Jadson. Penálti convertido com a serenidade habitual por Mehdi Taremi, que fez o 14.º golo na Liga.

O Portimonense reagiu, de tal forma que em cima do intervalo desperdiçou uma tripla oportunidade, com Aderllan a salvar em cima da linha de golo numa das ocasiões.

Haveria de decair bastante o jogo no segundo tempo, tanto quanto o ímpeto da equipa algarvia, que acabaria por não voltar a criar qualquer perigo no segundo tempo.

A iniciativa de jogo foi toda o Rio Ave e o prémio acabaria de chegar já bem perto do fim.

Canto direto de Filipe Augusto, que com a ajuda do vento (pois claro) acabaria por trair Gonda e dar o triunfo aos vila-condenses.

Para o Rio Ave foi como uma brisa a embalar a caravela para a vitória. Sopram os bons ventos da Europa para a equipa de Carlos Carvalhal, quando faltam três jornadas para o final.

Para o Portimonense, o pontinho que tanta falta pode fazer voou num sopro: esfumou-se como que por uma corrente de ar.

Sérgio Pires / Estádio dos Arcos, em Vila do Conde