Ponham a pastilha debaixo da língua e agarrem-se bem. O Benfica está a um ponto do 37º campeonato nacional da sua história, o que só por si já seria uma montanha russa da taquicardia, mas a vitória nos Arcos tem muito mais para contar.
 

Num jogo sem páginas em branco, é essencial ler tudo do princípio ao fim. Como fazem os fieis seguidores das telenovelas, cena por cena, capítulo por capítulo. Este arranca logo com o primeiro golo das águias, obra e graça do senhor Rafa Silva, com a bendita vénia de Júnio.

 

Após cruzamento de André Almeida na direita – o Rio Ave nunca foi capaz de cobrir as subidas do capitão lateral -, a bola bateu no desatento defesa rioavista e Rafa só teve de encostar ao segundo poste.


FICHA DE JOGO E O RIO AVE-BENFICA AO MINUTO

   

Depois, futebol, muito futebol e bom futebol dos dois lados. O Rio Ave perdeu a vergonha por volta dos 15 minutos, amparado na veterania matreira e corajosa de Fábio Coentrão, viu um golo a ser bem anulado a Tarantini e ainda Vlachodimos a parar um livre de Nuno Santos e a sair da baliza para parar uma transição do mesmo jogador.

   

O Benfica, percebia-se, geria a vantagem, sustentado no jogo gigantesco de Pizzi, um homem capaz de dar sempre a melhor indicação à bola. ‘O caminho? É por ali minha senhora, sempre em frente, não tem como enganar.’

  

Mais bola para o Rio Ave (64 por cento em cima do intervalo), duelos quentes, marcador a tremer de indecisão e, mesmo em cima do descanso, um erro grave da equipa de arbitragem com influência no marcador final.

  

Gabrielzinho foi claramente travado em falta por Florentino – ficámos com dúvidas se fora ou dentro da área do Benfica -, mas Hugo Miguel nada assinalou e, na resposta, o Benfica fez o 0-2 (João Félix em posição ilegal, após Leo Jardim largar um primeiro remate). No estádio a falta foi tão óbvia que toda a gente ficou a pensar que o VAR alertasse o árbitro.

  

Nada feito, vantagem sossegada para os homens de Bruno Lage.

DESTAQUES DO JOGO: Pizzi, um cérebro imenso

 

Ora, se o Rio Ave tinha acabado a primeira parte com o coração na boca e a fúria a percorrer-lhe o corpo da cabeça aos pés, o Benfica saiu a sentir-se dono e senhor da Liga. E abrandou.

  

Aproveitaram os rioavistas para reduzir pelo veterano Tarantini (remate/passe de Nuno Santos) aos 50 minutos e o Benfica a reparar os danos logo depois. Por quem? Pizzi, Pizzi, Pizzi, de longe o melhor em campo.

  

Pensa que já acabou? Nem por sombras. Ao melhor período do Benfica no jogo (ali entre os 55 e os 65), respondeu o Rio Ave com um golo e a sensação de déjà vu. Ronan fez o 2-3 num belo cabeceamento e as gentes da Vila acreditaram que a épica recuperação feita contra o FC Porto teria uma réplica perfeita.

  

Já não deu para tanto. A águia de Bruno Caesar Lage juntou Vila do Conde ao império das conquistas na segunda volta: Alvalade, Dragão, Braga, Guimarães... impressionante.

  

Bebam um copo de água, sosseguem essa inquietação, o turbilhão de emoções volta já a seguir. O Benfica só precisa de empatar com o Santa Clara na Luz para ser campeão nacional.