Carlos Carvalhal, treinador do Rio Ave, em declarações na sala de imprensa do estádio do Bessa, após a vitória por 2-0 ante o Boavista e a qualificação para a Liga Europa:

«Acima de tudo quero dizer que conseguimos este objetivo. O Famalicão seria um justo representante de Portugal nas competições europeias. Sou amigo pessoal do João Pedro, convido-o sempre para o meu aniversário e olhem que não são assim muitos. É um excelente treinador.

Acabámos por ser mais regulares. Durante toda a época a equipa esteve em crescendo, manteve alguma regularidade. Sinto-me satisfeito por ver o trabalho reconhecido e ver gente que gosto feliz. Fico muito grato por ter representando o Rio Ave, por ter trabalhado com estas pessoas e pelo grupo de jogadores espetaculares. O plantel foi sempre recetivo a aprender para melhorar as suas vidas. Apresentámos futebol de qualidade que valorizou os jogadores e o Rio Ave vai sair beneficiado. A proposta de organização tática foi muito ousada, os jogadores evoluíram e atingimos um ponto de maturação muito alto antes da pandemia.»

«Acho que devíamos ter ido à final four da Taça da Liga. Merecíamos e não nos deixaram estar. Foi um momento muito doloroso para mim. Amo futebol e tudo o que seja contrário... reajo de forma intempestiva. Ponderei abandonar a carreira de treinador. O presidente convenceu-me a ficar, tivemos duas ou três reuniões. Ouvi críticas quanto ao meu pedido de demissão. É uma questão de interpretação do português. Passei muito mal nestes 15 dias. Fizemos de tudo para conseguir a final four da Taça da Liga e a qualificação para a Europa. Essa seria uma época de sonho.»

«O futebol português tem perdido qualidade pela saída massiva de jogadores, mas consegue sempre transformar-se. O nível de arbitragem melhorou significativamente comparado com os últimos dez anos. Há alguma cultura que não nos deixa subir de nível e é preciso cuidar dessas situações.

O Rio Ave é uma equipa com um orçamento bom, mas limitado. Com mestria, organização, pessoas competentes a escolher elencos... revejo-me nisto. O meu mais profundo sentimento é este: com menos recursos conseguir bater quem tem mais recursos. É por isso, que eu amo futebol. Este é o sonho que tenho, é o que me realiza como treinador. Daí o meu desapontamento com a Taça da Liga. Não é o dinheiro. É esta gente estar satisfeita que me deixa feliz.»

«Minutos finais? Fui para o balneário, liguei ao meu filho enquanto vi imagens do nosso jogo. O meu filho estava a dizer-me que faltavam três minutos para o jogo acabar, disse-lhe que não podia ser porque aqui estavam todos aos saltos. Estive o tempo todo com ele. Depois ele disse-me: 'Parabéns, estão na Liga Europa'. Esperei 15 segundos, a imagem demora a chegar pelos telemóveis e depois vi-os terem aquela reação. Foi um momento de grande prazer.»

 

Vítor Maia / Estádio do Bessa, Porto