O Vitória chocou contra a consistência do Belenenses na Cidade do Futebol e voltou a perder pontos para o Famalicão na luta pela última carruagem do comboio da Europa. Depois do empate com o Sporting no regresso, novo empate frente a rival lisboeta, com a equipa de Ivo Vieira a não conseguir melhor do que anular a vantagem inicial da equipa de Petit, arrancada com um autogolo infeliz de Sacko. 

Ainda antes do início do jogo um revés para o Belenenses, com Silvestre Varela, autor do segundo golo na Vila das Aves, a ressentir-se de um problema muscular e a ficar de fora. Entrou Licá e, de resto, Petit apostou na mesma equipa. Uma formação consistente a defender que ia procurando explorar as transições rápidas, com a velocidade que Marco Matias, Casierra e Licá iam procurando impor na frente.

Ivo Vieira também mexeu pouco na equipa que empatou com o Sporting no jogo da retoma, com Evangelista a render Joseph, expulso no jogo com os leões. O Vitória entrou na expetativa, procurando progredir em campo, em bloco, com passes curtos, mas sem conseguir grande profundidade. Mas a verdade é que, sem arriscar muito, os minhotos foram impondo o seu jogo, crescendo de forma lenta, mas consistente, empurrando o adversário para junto da sua área, com Edwards e João Carlos Teixeira a coordenar as operações. O inglês, na marcação de um livre, proporcionou a defesa da tarde a Koffi, com o guarda-redes do Burkina Faso a ter de voar para tirar a bola do ângulo.

Foi neste período, em que o Vitória parecia ter o jogo cada vez mais controlado, que o Belenenses chegou ao golo. Lance rápido ao primeiro toque, com a bola a viajar para a direita onde Cassierra cruzou para o coração da área. Licá desviou de calcanhar e Sacko, que vinha nas suas costas, precipitou-se, desviando a bola para a própria baliza. Um golo muito festejado pelos «azuis» que voltavam a marcar primeiro depois da retoma.

O Vitória reagiu em força, acelerando o jogo e obrigando o Belenenses a recuar e toda a linha. Foi nesta altura que João Carlos Teixeira deixou as luvas de Koffi a ferver, com uma bomba à entrada da área. Seguiu-se uma sucessão de cantos e livres e o Vitória acabou mesmo por chegar ao empate, ainda antes do intervalo, com Davidson a combinar com Florent sobre a esquerda e o lateral a cruzar para o segundo poste onde surgiu João Carlos Teixeira a desviar, nas alturas, para a baliza de Koffi.

O Vitória até podia ter virado o resultado nos últimos instantes da primeira parte, mas o Belenenses resistiu e segurou o empate.

O Vitória procurou regressar ao campo com o mesmo controlo do jogo, mas encontrou, desde logo, um adversário bem mais adiantado no campo, a criar muitos problemas, logo na fase de construção dos minhotos. Os lisboetas, com uma pressão alta, recuperavam facilmente a bola e obrigavam o adversário a cometer erros. Marco Matias esteve perto de marcar, numa iniciativa individual, mas Douglas respondeu com mais uma boa defesa.

À maior ousadia do Belenenses, juntava-se uma quebra física de vários jogadores do Vitória, ainda que Davidson tenha voltado a testar os reflexos de Koffi. Ivo Vieira não esperou muito mais e procurou refrescar a sua equipa com as entradas de Ola John e Bonatini. Petit, que já tinha lançado Ruben Lima ao intervalo, também abdicou de Licá, desgastado, para apostar em Dieguinho.

O jogo seguiu tenso, com muita luta pela bola, com a qualidade a cair a olhos vistos, mas, ao mesmo tempo, com mais espaços. Ivo Vieira lançou ainda Rochinha e apostou na estreia do jovem alemão Abouchabaka, procurando dar ainda mais sangue fresco à sua equipa. O Vitória voltou a estar perto do golo, num remate de Bonatini, mas o Belenenses voltava a fechar-se em copas.

Seguiram-se mais substituições, com as duas equipas a esgotarem as cinco que têm direito, e o jogo não voltou a ganhar novo embalo. O Vitória acabou por cima, à procura dos três pontos, mas o Belenenses manteve-se inultrapassável até ao apito final de Iancu Vasilica.

O Belenenses não perde há seis e sofreu hoje o primeiro golo nos últimos quatro jogos, mas o Vitória também já não perde há cinco rondas.

Ricardo Gouveia / Cidade do Futebol