O Benfica adiou pelo menos por mais um dia a decisão da Liga, ao regressar aos triunfos às custas do V. Guimarães.

Os encarnados estiveram longe de exibir um nível pujante e revelaram, a espaços, os pecados que explicam a queda vertiginosa na tabela, mas que não tiveram consequências porque o V. Guimarães falhou na concretização, sobretudo quando ainda se registava um nulo no marcador, e o Benfica soube conseguiu marcar nos momentos em que estava por baixo.

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Com pouco ou com muito espaço, o que, valha a verdade, acontecia na maioria das vezes, Edwards inclinou o jogo para o lado dos visitantes. O extremo inglês soube explorar como ninguém as debilidades do Benfica, ineficaz nas transições defensivas e pouco agressivo nos duelos sobretudo na primeira meia hora de jogo, na qual o conjunto de Ivo Vieira justificou chegar à vantagem no marcador.

Se é verdade que a equipa da casa entrou melhor e ameaçou o golo por Chiquinho aos 7 minutos, gradualmente os vimaranenses começaram a crescer a partir do quarto de hora. As fragilidades da equipa agora comandada por Nélson Veríssimo são conhecidas e exploradas por quase todas as equipas da Liga e os minhotos, com recursos técnicos para isso, não foram exceção.

Em menos de um quarto de hora criaram três grandes oportunidades de golo: Edwards rematou à trave, e Bruno Duarte e Mikel Agu testaram os reflexos de Vlachodimos.

Fim da linha para Weigl, Florentino trouxe estabilidade

Amarelado aos 22 minutos após uma falta sobre Marcus Edwards, Weigl esteve pouco mais de meia hora em campo. Além de ter acumulado duas ações faltosas na fronteira de admoestação de novo cartão, mostrou-se incapaz de estancar as transições da equipa minhota. Com Florentino, um jogador mais posicional, o Benfica serenou.

Ainda assim, no plano ofensivo os encarnados não tinham cumprido mais do que mínimos olímpicos quando Chiquinho inaugurou o marcador aos 37 minutos.

Gestão aparente, descontrolo e reação contra a corrente

Com a entrada de Florentino, o Benfica parecia ter encontrado a fórmula para travar o V. Guimarães. E arrastou essa perceção desde a reta final da primeira parte até à passagem da hora de jogo.

Veríssimo refrescou a equipa com as entradas de Rafa e Seferovic para os lugares dos apagados Pizzi e Vinícius, mas o Vitória parecia levar a melhor no jogo tático dos treinadores. As entradas de Ouattara e Pêpê aproximaram os minhotos da melhor versão da primeira parte. Ainda quem sem transições perigosas e o serpentear imprevisível de Edwards, os vimaranenses empurraram as águias para trás.

André André assustou, Jardel e Rúben Dias tiveram de mostrar concentração máxima para afastar o perigo que surgia pela relva e pelo ar e João Pedro, acabado de entrar, teve um golo anulado por fora de jogo na sequência de uma bola parada, uma das kryptonites da águia dos últimos meses.

Novamente contra a corrente do jogo, o Benfica só respirou de alívio perto do final. Seferovic, que minutos antes ficou perto de um golaço numa tentativa de chapéu a Douglas, fez o 2-0 a passe de Rafa e afastou os maus espíritos.

Ainda que longe de uma exibição deslumbrante e errático e nervoso com quase sempre, o Benfica cumpre a missão. Sela o segundo lugar da Liga e atira para o FC Porto a responsabilidade de decidir o campeonato no clássico desta quarta-feira, ainda que este seja o primeiro de três match points dos azuis e brancos.

David Marques / Estádio da Luz, Lisboa