Rivalidade, tradição e, desta vez, também um duelo entre «matadores». A receção do Vitória de Guimarães ao Sporting, este sábado, às 18h15, da 7.ª jornada coloca frente a frente Moussa Marega, melhor marcador da Liga, e Bas Dost, o segundo da lista, a par do portista André Silva, e o goleador que menos tempo precisa para marcar (um golo a cada 52 minutos).

O maliano de 25 anos, que em janeiro último o FC Porto desviou da rota de Alvalade e que no Dragão dececionou, foi emprestado aos vitorianos e para já parece ter ganho no «Berço» uma nova vida: marcou cinco golos em cinco jogos na liga e é neste momento o maior artilheiro da Liga – o único jogo em que não entrou em campo foi no Dragão, frente ao clube com quem tem vínculo contratual até 2020.

Já o holandês de 27 anos que o Sporting contratou ao Wolfsburgo neste defeso para substituir Slimani está a ter um dos arranques mais impressionantes de um goleador na Liga, tendo marcado nas três jornadas em que participou e até bisado na última ronda frente ao Estoril – depois da estreia a marcar com o Moreirense e de também ter feito um golo com o Rio Ave.

Bas Dost soma quatro golos no campeonato e apontou mais um tento a meio da semana na Liga dos Campeões. Dos cinco jogos que fez pelo Sporting, o único em que ficou em branco foi no Santiago Bernabéu frente ao Real Madrid.

As diferenças por Domingos e Cascavel

Domingos Paciência, ex-treinador do Sporting em 2011/12 e antigo avançado do FC Porto, faz a distinção entre os homens-golo das duas equipas.

«Marega está numa boa fase. No Vitória têm outras funções e não sente a pressão que tinha no FC Porto. É um jogador com muita entrega ao jogo, resistência e com uma velocidade e potência que põem em sentido uma defesa. Mas é preciso um pouco mais para ser ponta-de-lança de uma equipa grande. Já o Bas Dost é uma grande contratação do Sporting, é mais ponta-de-lança e tecnicamente mais evoluído. Durante o jogo faz muitas movimentações com a intenção a procurar a finalização e é uma referência na área. Nota-se que é um jogador com escola e já habituado aos grandes palcos», explica ao Maisfutebol o último português a conseguir o troféu de melhor marcador do campeonato, em 1995/96 (25 golos) – no total fez 105 golos na prova em 12 temporadas pelos azuis e brancos.

Paulinho Cascavel é uma referência pelos dois clubes que amanhã se encontram no D. Afonso Henriques, de tal forma que foi melhor marcador do campeonato português tanto no V. Guimarães (22 golos, em 1986/87) como no Sporting (23 golos em 1987/88).

Ontem, no dia do seu 57.º aniversário, tirou uns minutos para desde o Brasil abordar ao Maisfutebol as diferenças entre jogar em cada patamar.

«Marega e Bas Dost conheço mal… Mas sei que é diferente ser goleador de uma equipa que luta pelo título, como o Sporting, ou que tem objetivos menos ambiciosos, como o V. Guimarães. Numa equipa grande, o ponta-de-lança tem mais jogadores na frente capazes de o servir ou de fazerem por si a diferença. Há mais oportunidades por jogo para fazer golos, porque a equipa vence e marca mais. Numa equipa média dimensão é muito mais difícil ser melhor marcador. O ponta-de-lança tem menos hipóteses de estar na cada do golo e muitas vezes fica mais sozinho na frente», declara o brasileiro que ao longe tem acompanhado os resultados das duas equipas em Portugal – por cá, passou ainda pelo FC Porto, em 1984/85, e Gil Vicente, em 1990/91, mas aí sem grande êxito, confessando que ainda assim tem uma preferência para o jogo:

«Este sábado vou tentar assistir ao jogo pela televisão aqui no Brasil. Acho que o Jorge Jesus tem muito mérito no percurso do Sporting e espero que sejam campeões. Mas sou um pouco mais adepto do Vitória e neste jogo torço por eles. O meu filho nasceu em Guimarães, onde ainda tenho casa em que passo uma temporada todos os anos, e não esqueço o enorme carinho que ainda hoje os adeptos demonstram por mim.»

Sérgio Pires