O Santa Clara empatou com o Vitória de Guimarães 2-2 e somou mais um ponto que lhe permite alcançar o melhor registo pontual da sua história, com João Henriques a melhorar, em um ponto, o registo da época passada. Os açorianos chegaram ao intervalo em vantagem, depois de um final de primeira parte frenético, com três golos em dez minutos, mas não conseguiram evitar o empate numa segunda parte marcada por quezílias, faltas e protestos dos dois bancos. Uma despedida menos bonita da temporada.

Ao primeiro apito de João Bento, as duas equipas encaixaram uma na outra, ambas em 4x3x3, mas com um bom ritmo de jogo. O Santa Clara mais conservador, mais recuado, à espera de um erro dos minhotos, o Vitória mais proactivo, mas adiantado e a procurar profundidade. Um início de jogo, com muito duelos individuais, mas poucos espaços. O Vitória procurou entrar mais forte e até marcou, logo nos primeiros instantes do jogo, com João Carlos Teixeira a servir Ola John, mas o avançado estava adiantado.

Não valeu, mas serviu de aviso para o Santa Clara que procurou desde logo subir as suas linhas e defender mais longe da baliza de André Ferreira. O jogo ficou ainda mais equilibrado, com ambas a equipa a descaírem mais para a esquerda nos respetivos ataques, com os açorianos a procurarem explorar a velocidade de Zaidu Sanusi e, no lado contrário, Ola John a dar trabalho a Sagna.

O ritmo caiu a olhos vistos, mas o Santa Clara cresceu no jogo, conseguindo pressionar o Vitória mais alto. Foi assim que surgiu o primeiro golo, depois de um lançamento lateral, com Bondarenko a tentar segurar a bola, mas a perdê-la perante a pressão de Carlos Junior que fugiu para o interior da área, sobre a linha de fundo, para cruzar para o golo fácil de Thiago Santana. Ainda houve dúvidas se a bola teria passado a linha, mas o golo acabou por ser validado.

Os últimos dez minutos foram frenéticos, com o Vitória a procurar reagir de pronto, mas foi o Santa Clara que voltou a marcar, depois de mais um erro de Bondarenko. O central ucraniano atingiu Carlos Junior no joelho e João Bento, em cima do lance, apontou para a marca dos onze metros. Carlos Junior atirou colocado e aumentou a vantagem dos açorianos para 2-0. Bola ao centro e o Vitória reduziu de imediato a diferença, depois de um bom lance entre Ola John e André André, com este último a cruzar atrasado para a quina da área, onde surgiu Florent Hanin a encher o pé.

Em apenas dez minutos, três golos de rajada que deixavam tudo em aberto para a segunda parte, mas com o Santa Clara já em boa posição para alcançar um dos seus objetivos.

Mas ainda faltavam 45 minutos e o Vitória deixou claro, logo a abrir, que não estava satisfeito com o resultado. Ola John arrancou um livre sobre a esquerda e Pedrão esteve muito perto de restabelecer empate, com uma cabeçada que obrigou André Ferreira a voar.

O alarme voltava a soar para o lado do Santa Cara e João Henriques tentou recuperar o meio-campo com as entradas de Anderson carvalho e Licoln, mas o Vitória estava determinado em dar velocidade ao jogo. O Santa Clara voltava a encolher a olhos vistos, ao ponto de ter a equipa toda dentro da área, rodeada pelos homens de negro. Tanta gente num curto espaço acabou por dar problemas. Uma bola no braço de Carlos Junior levou João Bento a apontar para a marca de penálti, perante os intensos protestos dos açorianos e André André restabeleceu o empate desde a marca dos onze metros.

Os ânimos continuaram a aquecer, com os dois bancos a protestarem cada lance como se fosse o último, ao ponto do banco do Santa Clara ter invadido o campo quando Mikel Agu atingiu Fábio Cardoso com o cotovelo. Os açorianos pediam penálti, mas João Bento mandou seguir.

A partir daqui houve pouco futebol e muita gritaria, Mamadu Candé ainda foi expulso, mas o resultado não se alterou e, com este empate, o Santa Clara consegue o melhor registo pontual da sua história, passando a contar com 43 pontos, mais um do que tinha conseguido em 2018/19.

Ricardo Gouveia / Cidade do Futebol